Senado aprova projeto que flexibiliza regras fiscais e viabiliza incentivos para data centers

PLP 74/2026 foi aprovado por 66 votos a zero e permite retirar determinados benefícios tributários e despesas das restrições fiscais previstas para 2026.

O Senado Federal aprovou nesta quinta-feira (3) o Projeto de Lei Complementar (PLP) 74/2026, que estabelece novas exceções às regras fiscais e abre caminho para a implementação de incentivos tributários destinados a setores considerados estratégicos.

A proposta recebeu 66 votos favoráveis e nenhum contrário e segue agora para sanção presidencial. Entre as medidas contempladas está o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (ReData).

ReData ganha espaço no projeto

O ReData prevê incentivos fiscais para empresas que instalem ou ampliem data centers no Brasil. O objetivo é estimular investimentos em infraestrutura tecnológica, inteligência artificial, inovação e serviços digitais.

O programa prevê benefícios tributários para a aquisição de equipamentos utilizados nos empreendimentos. A legislação aprovada anteriormente pelo Congresso também estabelece contrapartidas para as empresas beneficiadas, incluindo investimentos em pesquisa e desenvolvimento e a destinação de parte da capacidade instalada ao mercado brasileiro.

Para empresas instaladas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, algumas exigências previstas no programa são reduzidas, como forma de estimular a descentralização dos investimentos tecnológicos.

Exceções às regras fiscais

O ponto central do PLP é permitir que determinados benefícios tributários e despesas obrigatórias fiquem fora de algumas restrições fiscais aplicáveis em 2026.

Segundo a equipe econômica, a mudança permite que renúncias de receita que já estavam previstas no Orçamento possam ser executadas, desde que atendam às condições estabelecidas pela legislação fiscal.

A medida é importante para o ReData porque parte dos recursos destinados ao programa já havia sido considerada no Orçamento de 2026. A previsão original, de aproximadamente R$ 5,2 bilhões em renúncias fiscais, estava vinculada a uma medida provisória que perdeu validade.

Projeto recebeu novas ressalvas

Durante a tramitação, o texto passou por mudanças e incorporou outras exceções às regras fiscais.

Além do ReData, foram incluídas medidas relacionadas a benefícios para resseguradoras e a um regime tributário especial para áreas de livre comércio no Amapá.

A inclusão de dispositivos que não estavam diretamente relacionados ao objetivo inicial do projeto provocou críticas de setores do governo e levantou discussões entre parlamentares sobre o alcance das alterações.

Próximos passos

Com a aprovação pelo Senado, o projeto segue para a etapa de sanção presidencial.

A aprovação do PLP representa um passo importante para que os incentivos previstos no ReData possam ser implementados ainda em 2026. O programa é considerado estratégico pelo setor de tecnologia diante do avanço da inteligência artificial e da necessidade de ampliar a infraestrutura de processamento e armazenamento de dados no país.

O governo também deverá regulamentar os detalhes necessários para a aplicação do programa, enquanto empresas interessadas aguardam as regras definitivas para realizar novos investimentos no setor.

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