Nova regra do Pix amplia proteção contra golpes e dá mais tempo para contestar devoluções

Banco Central aumentou de 30 para 80 dias o prazo para contestar devoluções fraudulentas pelo Mecanismo Especial de Devolução

Uma nova medida de segurança do Pix entrou em vigor nesta terça-feira (1º) e pode ajudar a reduzir um tipo de golpe que tem atingido principalmente comerciantes, prestadores de serviços e pequenos empresários.

A mudança determinada pelo Banco Central (BC) amplia de 30 para 80 dias o prazo para contestar uma devolução feita pelo Mecanismo Especial de Devolução (MED) quando houver suspeita de fraude. A alteração faz parte da Instrução Normativa BCB nº 766 e atualiza o Manual Operacional do sistema.

A medida busca evitar situações em que uma pessoa acaba perdendo dinheiro duas vezes depois de ser vítima de uma fraude envolvendo uma suposta devolução de Pix.

Como funciona o novo prazo

O MED é uma ferramenta criada para facilitar a recuperação de valores em determinadas situações de fraude, golpe ou falha relacionada a uma transação Pix.

Com a nova regra, quem teve uma devolução contestada por fraude passa a ter até 80 dias para apresentar uma contestação, contra os 30 dias previstos anteriormente. O prazo começa a ser contado a partir da devolução questionada.

A ampliação dá mais tempo para que bancos e clientes identifiquem movimentações suspeitas e tentem rastrear o caminho do dinheiro.

Entenda o golpe do falso Pix enviado por engano

Um dos golpes que motivaram o reforço da proteção envolve uma situação aparentemente simples.

O criminoso realiza um Pix para um comerciante ou prestador de serviço e, posteriormente, afirma que fez a transferência por engano. Em seguida, pede que o dinheiro seja devolvido.

O problema acontece quando a vítima, acreditando estar corrigindo um erro, faz uma nova transferência Pix para a chave indicada pelo suposto cliente.

Paralelamente, o golpista pode acionar o MED junto ao banco e alegar que o pagamento original foi resultado de uma fraude.

Se o pedido for aceito e ainda houver recursos disponíveis na conta que recebeu o primeiro Pix, o valor poderá ser devolvido pelo sistema bancário.

Nesse cenário, o comerciante pode acabar entregando o dinheiro voluntariamente e, depois, também sofrer uma devolução relacionada à contestação fraudulenta.

Como evitar cair nesse tipo de fraude

Uma das principais recomendações para quem recebe um Pix e é informado de que houve um erro é não fazer uma nova transferência para outra chave.

Caso seja realmente necessário devolver o dinheiro, o procedimento mais seguro é utilizar a própria função de devolução do Pix vinculada à transação original, disponível no aplicativo do banco.

Dessa forma, a operação fica relacionada ao pagamento que efetivamente foi recebido, reduzindo o risco de o usuário enviar o dinheiro para uma conta diferente daquela de origem.

Também é importante conferir o extrato bancário antes de realizar qualquer devolução e desconfiar de situações em que a pessoa apresente urgência excessiva ou forneça uma chave Pix diferente para receber o suposto reembolso.

Rastreamento do dinheiro também foi aprimorado

A nova atualização do sistema não trata apenas da ampliação do prazo.

O Banco Central também incluiu mecanismos para melhorar o rastreamento das transações relacionadas a notificações de infração. Entre as mudanças está a utilização de uma informação chamada “profundidade no grafo”, que ajuda a identificar a posição de uma determinada transação dentro do caminho percorrido pelos recursos.

A ideia é facilitar a identificação de contas que possam estar envolvidas na movimentação de valores provenientes de golpes e ampliar as possibilidades de recuperação do dinheiro.

O que fazer se você suspeitar de um golpe?

Quem identificar uma movimentação suspeita deve procurar imediatamente a instituição financeira responsável pela conta e informar o ocorrido.

Em casos de fraude, o usuário também pode solicitar ao banco a abertura dos procedimentos previstos no MED, quando a situação se enquadrar nas regras do mecanismo.

Além disso, é recomendável registrar um boletim de ocorrência e guardar comprovantes, conversas, dados das transações e demais informações relacionadas ao golpe.

A nova regra não significa que todo dinheiro perdido em uma fraude será automaticamente recuperado. A devolução depende da análise do caso e da existência de recursos que possam ser bloqueados e recuperados.

Mais segurança para quem utiliza o Pix

O Pix se tornou uma das principais formas de pagamento utilizadas pelos brasileiros, mas sua rapidez também passou a ser explorada por criminosos em diferentes modalidades de fraude.

A ampliação do prazo para contestação representa mais uma ferramenta de proteção para consumidores e empresas. Para o usuário, porém, continuam valendo cuidados básicos: conferir os dados antes de transferir, desconfiar de pedidos inesperados e utilizar os mecanismos oficiais do banco em caso de devolução.

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