Presidente norte-americano afirmou que se dá bem com Lula e evitou apoiar a contestação jurídica do senador brasileiro; bastidores indicam atuação de Washington para suavizar carta do parlamentar
O presidente norte-americano, Donald Trump, garantiu que não vai se envolver na situação do senador brasileiro Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que viajou para os Estados Unidos após ter a prisão preventiva evitada e o passaporte retido por determinação judicial. Flávio chegou a se declarar o “verdadeiro presidente do Brasil” em uma carta divulgada nas redes sociais, para depois corrigir o termo e intitular-se “líder do Brasil”.
“Não vou me envolver”, declarou Trump, descartando endossar formalmente os planos de contestação jurídica ou o teor do manifesto publicado pelo parlamentar.
Segundo revelaram fontes sob condição de anonimato à imprensa internacional, houve atuação nos bastidores diplomáticos dos Estados Unidos após a publicação da primeira versão do texto. O objetivo foi fazer com que Flávio retirasse a expressão “presidente eleito” e a substituísse por “líder do Brasil”.
A diplomacia norte-americana agiu rápido para evitar que o tratamento formal ao senador inviabilizasse as relações institucionais de Washington com o governo oficial do Brasil, sob a presidência de Luiz Inácio Lula da Silva. Por outro lado, aliados próximos da família Bolsonaro, como o jornalista Paulo Figueiredo, negaram que tenha havido exigência formal por parte das autoridades norte-americanas.
A primeira versão do texto gerou forte repercussão negativa e foi rejeitada por importantes lideranças da oposição e pelo próprio Partido Liberal, sigla do senador, que já havia reconhecido o resultado das urnas.
Trump se limitou a declarar que o pleito brasileiro teria sido “uma eleição estranha e vergonhosa”. Em manifestações anteriores, sem apresentar provas, o presidente norte-americano mencionou de modo ambíguo que o processo de apuração teria deixado uma “impressão terrível”, sugerindo falhas no pleito. Paralelamente, ressaltou manter uma boa relação com o presidente eleito do Brasil: “Eu não governo o Brasil, eu governo os Estados Unidos. Gosto do Lula, me dou muito bem com ele”.

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