Professores da rede estadual cobram pagamento do Bônus do Desempenho, após atraso

Tradicionalmente pago no Dia dos Professores, bônus não foi depositado nesta quinta-feira (15). Docentes relatam falta de comunicação e prejuízos ao planejamento financeiro

Educadores da rede estadual de Pernambuco cobram explicações pelo adiamento do pagamento do Bônus de Desempenho Educacional (BDE) de 2026, que estava previsto para esta quinta-feira (15), Dia dos Professores.

Docentes ouvidos pela reportagem criticam a falta de comunicação prévia e afirmam que o atraso comprometeu o planejamento financeiro de profissionais que contavam com o recurso.

O pagamento vinha sendo realizado no dia 15 de outubro nos últimos anos, segundo os professores. A mudança de data, comunicada às vésperas do prazo habitual, gerou insatisfação entre os profissionais, que também questionam a falta de informações sobre o processo de pagamento e o acesso ao sistema de consulta dos valores individuais.

Thaynah Leal Simas, professora da Escola Técnica Estadual Maximiano Accioly Campos (ETEMAC), em Jaboatão dos Guararapes, afirma que a expectativa pelo bônus já fazia parte do planejamento financeiro de muitos docentes. “O BDE não é um dinheiro que aparece de “surpresa”. Ele vem sendo pago desde a gestão do governo anterior.”

Segundo ela, os profissionais costumam ter uma previsão dos valores após a divulgação dos cálculos relacionados às metas alcançadas pelas escolas e dos resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e do Índice de Desenvolvimento da Educação de Pernambuco (Idepe). “A ausência do depósito na data esperada, sem aviso prévio, frustrou os planos que já haviam sido feitos. Quando as informações sobre os resultados do Ideb e Idepe são divulgadas, os cálculos e prospecção do bônus também são feitos. Isso gera expectativa e esse ano não esperávamos que algo fosse diferente em relação ao pagamento”, detalha Thaynah.

A professora também criticou a falta de comunicação da secretaria. De acordo com ela, até a véspera do pagamento, o portal do BDE ainda não estava disponível para consulta. O sistema é utilizado pelos servidores para verificar os valores a receber e questionar eventuais divergências. “Recebi a notícia com indignação e frustração porque não estamos falando de uma data aleatória, é o Dia dos Professores”, critica. “Historicamente, o BDE vem sendo pago nesta data, como algo simbólico. O que tem sido amplamente discutido por mim e vários colegas é a sensação de falta de respeito. Primeiro, ninguém avisa nada com antecedência, não dá nenhuma satisfação de nada. E só respondem quando são pressionados.”

O professor de Biologia Celso Lucas, da Escola Jornalista Jader de Andrade, em Timbaúba, também classificou o adiamento como um desrespeito à categoria. Segundo ele, os profissionais souberam do novo prazo em cima da hora e tiveram de buscar informações sobre o processo por conta própria. “Foi avisado muito em cima da hora. A gente não consegue se organizar. Poderia ter planejado uma viagem, alguma coisa, mas não conseguiu fazer isso porque foi tudo em cima da hora. A categoria está se sentindo extremamente desrespeitada e sem nenhum tipo de valorização”, declarou.

O docente também manifestou preocupação com a possibilidade de o bônus ser pago na mesma folha salarial, o que, segundo ele, poderia elevar os descontos do Imposto de Renda. A questão tem sido discutida entre professores, mas a forma de processamento do pagamento não foi detalhada na nota enviada pela Secretaria de Educação e Esportes (SEE).

Metas exigem trabalho durante todo o ano

Além do atraso, o professor Celso destacou as exigências para que as escolas alcancem as metas necessárias ao recebimento do BDE. Segundo ele, os resultados dependem de indicadores como as taxas de aprovação e o desempenho dos estudantes nas avaliações educacionais.

Celso afirma que a preparação para as provas exige o envolvimento de docentes de diferentes disciplinas, inclusive daqueles que não lecionam Português ou Matemática, áreas cobradas nas avaliações mencionadas pelo professor.

De acordo com Celso, o trabalho inclui a adoção de estratégias pedagógicas para estimular o interesse dos estudantes e melhorar o desempenho nas avaliações. A preparação ocorre paralelamente às atividades curriculares e ao trabalho voltado para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

O professor também aponta dificuldades na preparação para as avaliações estaduais, afirmando que os docentes não têm acesso a questões-modelo para orientar o trabalho em sala de aula.

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