Projeto desenvolvido em escola pública do Sertão de Pernambuco criou uma pastilha bioindicadora e levou a equipe à semifinal de competição nacional de inovação
Estudantes da Escola Técnica Estadual Professor Paulo Freire, em Carnaíba, no Sertão do Pajeú, desenvolveram uma solução que utiliza plantas nativas da Caatinga para auxiliar na identificação de possíveis contaminações da água.
O projeto, batizado de “Sertanino: Uma solução natural para um direito essencial”, utiliza extratos de jurema-preta e catingueira, espécies encontradas na região. A partir desses materiais, os alunos desenvolveram uma pastilha bioindicadora que apresenta alteração na tonalidade quando entra em contato com água contaminada em determinadas condições.
A iniciativa foi criada pensando principalmente em comunidades rurais que enfrentam dificuldades para acessar laboratórios, equipamentos e testes especializados de qualidade da água. No Sertão do Alto Pajeú, o armazenamento de água em cisternas e açudes faz parte da realidade de muitas famílias, aumentando a importância de alternativas acessíveis para o monitoramento inicial da qualidade da água.
Como funciona a solução
Segundo os responsáveis pelo projeto, as duas plantas escolhidas possuem alta concentração de taninos. Os estudantes pesquisaram essas características e utilizaram os extratos para produzir a pastilha.
Nos testes realizados pela equipe, a pastilha provocou uma mudança visível na tonalidade da água considerada contaminada, enquanto a água utilizada como referência permaneceu transparente. A proposta é permitir uma sinalização visual que indique a necessidade de uma investigação mais detalhada.
O projeto, porém, ainda passa por etapas de validação. Os estudantes pretendem comparar os resultados obtidos com análises laboratoriais mais avançadas para avaliar a sensibilidade, a uniformidade e o funcionamento do protótipo. Para isso, foi estabelecida uma parceria com uma universidade federal localizada em Serra Talhada.
Reconhecimento nacional
A equipe de Carnaíba está entre as 30 semifinalistas da 13ª edição do Solve for Tomorrow Brasil, programa que incentiva estudantes e professores da rede pública a desenvolverem soluções para problemas reais por meio de ciência, tecnologia, engenharia e matemática.
O grupo é orientado pelo professor Gustavo Santos Bezerra e conta com os estudantes Matheus Gonçalves Lacerda, Jamilly Gadelha da Silva e Leandra Viviane Marques Lins.
A competição segue com etapas de mentoria e desenvolvimento dos projetos. O calendário divulgado pela organização prevê o anúncio dos dez finalistas em 16 de outubro, a abertura da votação pelo Júri Popular em 23 de novembro e o anúncio dos vencedores em 8 de dezembro de 2026.
Ciência voltada para a realidade local
Para os estudantes e professores envolvidos, o projeto representa também uma experiência de pesquisa aplicada a um problema presente na própria região.
A proposta une conhecimentos de Biologia, Química e pesquisa científica ao aproveitamento de recursos naturais da Caatinga. Antes de chegar ao protótipo, a equipe passou por etapas de identificação do problema, estudo das plantas, realização de testes e preparação dos resultados.
O projeto ainda não substitui análises laboratoriais de potabilidade. A proposta é funcionar como uma ferramenta inicial de sinalização, especialmente em locais onde o acesso a métodos convencionais de análise é mais limitado.

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