Relato aponta pagamentos de R$ 20 por postagens contra João Campos nas redes sociais

Reportagem cita grupos de WhatsApp que coordenariam comentários e compartilhamentos favoráveis a Raquel Lyra; vínculo direto com a campanha não foi comprovado

Uma nova reportagem sobre a atuação de grupos de mobilização política nas redes sociais durante as eleições de 2026 aponta que participantes estariam recebendo R$ 20 por postagem para realizar ações de engajamento favoráveis à governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD) e críticas ao candidato João Campos (PSB).

A informação foi divulgada nesta quarta-feira (23) pelo portal Brasil 247 e repercutida pelo Diario de Pernambuco. Segundo os relatos apresentados, pelo menos dois grupos de WhatsApp, identificados como “RL55” e “Raquel 2026”, seriam utilizados para distribuir links e orientar participantes sobre comentários, curtidas e compartilhamentos em publicações nas redes sociais.

Pagamentos seriam realizados por Pix

Um dos integrantes citados na reportagem, o influenciador Renato Neto, afirmou que os participantes recebem atualmente R$ 20 por postagem. Segundo o relato, os valores seriam repassados antecipadamente e posteriormente distribuídos entre os integrantes responsáveis pelas ações.

Renato também atribuiu à advogada Maria Eduarda Lucena Freire, conhecida como Duda Lucena, a realização dos pagamentos por meio de Pix. Ela aparece relacionada à administração de um dos grupos mencionados na apuração.

A dinâmica descrita envolveria o envio de links depois que determinadas publicações são feitas no Instagram. Os participantes seriam orientados sobre as interações a serem realizadas, incluindo comentários, curtidas e compartilhamentos.

Campanha de Raquel não teve vínculo comprovado

Apesar dos relatos apresentados, a própria reportagem ressalta que as informações não comprovam, isoladamente, que a campanha de Raquel Lyra determine ou financie diretamente os pagamentos.

O Diario de Pernambuco informou que procurou a equipe da governadora para obter um posicionamento sobre o caso e aguardava resposta no momento da publicação. Em episódio anterior, relacionado a atividades semelhantes durante a campanha de 2024, a campanha de Raquel Lyra negou envolvimento no financiamento e afirmou que as manifestações favoráveis à candidata nas redes sociais eram espontâneas.

Duda Lucena também já havia negado, em reportagem anterior do Metrópoles, ter orientado ataques contra João Campos. A empresa Aposta Ganha, que possui relação profissional mencionada nas reportagens, igualmente negou financiar ou contratar ações político-eleitorais nas redes sociais.

Caso semelhante já havia sido revelado

O assunto ganhou repercussão após uma reportagem do Metrópoles, publicada em 9 de setembro, apresentar mensagens e comprovantes de pagamentos via Pix relacionados a um grupo de engajamento político durante a campanha municipal de 2024.

Segundo aquela apuração, participantes teriam recebido pagamentos semanais para publicar conteúdos favoráveis a Raquel Lyra e críticos a João Campos. Duda Lucena confirmou ter sido procurada naquele período para atuar em uma mobilização digital, mas negou ter orientado ataques contra adversários.

A nova denúncia acrescenta o relato de que, em 2026, participantes de grupos semelhantes estariam recebendo R$ 20 por postagem.

O caso ocorre em meio à disputa pelo Governo de Pernambuco e às discussões sobre o uso das redes sociais durante a campanha eleitoral. Paralelamente, o TRE-PE aplicou nesta semana multa de R$ 10 mil à governadora Raquel Lyra e à vice-governadora Priscila Krause por conteúdo crítico a João Campos que teria sido impulsionado nas redes sociais. A coligação informou que pretende recorrer da decisão.

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