Aumento de 15% começa a valer em outubro; governo estima impacto anual de R$ 22,7 bilhões nas contas públicas em 2027 e 2028.
O reajuste de 15% no Bolsa Família terá impacto de aproximadamente R$ 5,8 bilhões nas contas públicas em 2026, segundo estimativa divulgada pelo Ministério da Fazenda. A nova tabela começa a valer em outubro e deverá elevar o custo adicional do programa para R$ 22,7 bilhões por ano em 2027 e 2028.
O governo federal afirma que o aumento corresponde a uma recomposição do poder de compra dos beneficiários e que o espaço fiscal necessário para a medida será obtido por meio de ajustes e remanejamentos no Orçamento.
Segundo o Ministério da Fazenda, o reajuste não deverá comprometer as metas de resultado primário estabelecidas para as contas públicas. A pasta sustenta que o ajuste fiscal em andamento permite absorver o aumento das despesas.
Benefício mínimo sobe para R$ 691
Com a atualização, o valor mínimo pago pelo Bolsa Família passará de R$ 600 para R$ 691. O benefício médio, por sua vez, deverá aumentar de aproximadamente R$ 675 para R$ 777.
Os novos valores foram publicados no Diário Oficial da União e começam a ser aplicados a partir da folha de outubro.
Entre os valores reajustados estão:
- Benefício de Renda de Cidadania: R$ 164 por integrante;
- Benefício Complementar: até R$ 691 para famílias que não alcançarem esse valor;
- Benefício Primeira Infância: R$ 173 por criança de até sete anos incompletos;
- Benefício Variável Familiar: R$ 58 por integrante que se enquadre nas condições previstas no programa.
Impacto nas contas de 2027
O principal efeito financeiro da medida ocorrerá a partir de 2027. A Fazenda estima uma despesa adicional de R$ 22,7 bilhões naquele ano, valor que também deverá se repetir em 2028, caso sejam mantidas as condições atuais do programa.
O Ministério do Planejamento e Orçamento informou que será necessário adequar a proposta orçamentária de 2027 para incorporar o novo custo. Segundo o ministro Bruno Moretti, parte dos recursos deverá ser obtida por meio de remanejamento de despesas em áreas nas quais foram identificadas sobras orçamentárias, principalmente na Previdência Social.
Reajuste não estava previsto no Orçamento
O aumento foi anunciado em 17 de setembro e não estava originalmente contemplado no projeto de Orçamento de 2027 enviado ao Congresso. Por isso, o governo terá de promover alterações na peça orçamentária para acomodar a nova despesa.
A equipe econômica afirma que a medida foi possível após a identificação de recursos disponíveis no Orçamento e que o reajuste está sendo realizado dentro das regras fiscais vigentes.
O aumento ocorre em meio ao calendário das Eleições 2026, o que também provocou críticas de adversários do governo. Essas críticas, porém, fazem parte do debate político sobre a medida, enquanto o governo sustenta que o reajuste representa uma recomposição do benefício e que haverá compensação orçamentária.
Governo prevê adequação das despesas
Com o novo valor, o governo terá de incorporar uma despesa permanente maior ao planejamento dos próximos anos. A Fazenda afirma que o impacto será absorvido por meio do ajuste das despesas e que não haverá alteração nas metas fiscais.
O reajuste representa a primeira atualização dos valores do Bolsa Família desde 2023 e passa a ser aplicado aos beneficiários a partir de outubro.

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