Candidatos ao Governo de Pernambuco discutiram a antiga participação societária da governadora na Logo Caruaruense e divergiram sobre dívidas e fiscalização da empresa
Um dos principais momentos de tensão do debate entre os candidatos ao Governo de Pernambuco, realizado na quinta-feira (17), em Caruaru, envolveu a antiga participação societária da governadora Raquel Lyra (PSD) na empresa de transporte Logo Caruaruense.
O assunto foi levantado pelo candidato João Campos (PSB) durante uma pergunta sobre direitos trabalhistas. Ele questionou Raquel sobre sua relação com a empresa, que pertencia à família da governadora, e citou débitos trabalhistas e previdenciários atribuídos à companhia durante o período em que ela integrava o quadro societário.
João cita débitos previdenciários
Durante o confronto, João Campos afirmou que a empresa acumulou mais de R$ 3 milhões em débitos previdenciários, incluindo, segundo ele, quase R$ 1 milhão referente a valores descontados dos trabalhadores e que não teriam sido repassados à Previdência.
O candidato classificou a situação como apropriação indébita e também questionou Raquel sobre a fiscalização dos ônibus da empresa durante o período em que ela esteve à frente do Governo de Pernambuco.
As afirmações foram apresentadas por João durante o debate e não devem ser confundidas com uma conclusão judicial sobre eventual responsabilidade pessoal da governadora.
Raquel nega ter administrado a empresa
Raquel Lyra contestou as acusações. Segundo a governadora, sua participação na empresa era minoritária, de 1% das cotas, e ela deixou a sociedade em 2016.
Raquel afirmou ainda que nunca administrou a companhia e que os trabalhadores receberam as verbas rescisórias após o encerramento das atividades da empresa neste ano. Ela também classificou como falsas as informações apresentadas por João durante o debate.
“É impressionante como você tem capacidade de produzir informações falsas”, reagiu a governadora.
Fiscalização também entrou no debate
João Campos voltou a questionar a atuação do governo estadual em relação à empresa de transporte e perguntou sobre eventuais fiscalizações realizadas nos ônibus da Logo Caruaruense durante a gestão de Raquel.
A governadora respondeu que havia fiscalização ordinária realizada pelo órgão responsável e negou qualquer favorecimento à empresa. Raquel também afirmou que o setor de transporte intermunicipal enfrenta problemas antigos e que sua administração trabalha para reorganizar o sistema.
Raquel cita licitação de 2014
Na sequência, Raquel Lyra direcionou o debate para uma licitação do transporte intermunicipal realizada em 2014, durante o governo de Eduardo Campos, pai de João Campos.
A governadora mencionou um processo que, segundo ela, envolvia cerca de R$ 1,3 bilhão. João respondeu que o processo havia sido conduzido pelo então governador João Lyra, que posteriormente deixou o cargo.
Debate teve outros confrontos
O episódio envolvendo a Logo Caruaruense foi apenas um dos momentos de confronto entre os dois candidatos. O debate também teve discussões sobre apostas esportivas, segurança pública, saúde, transporte e relação com o governo federal.
O encontro foi promovido pela Rádio Cultura do Nordeste, em parceria com o Diario de Pernambuco e a TV Nova Nordeste, e contou também com a participação do candidato Ivan Moraes (PSOL).
O debate ocorreu em um momento de intensa disputa eleitoral em Pernambuco. As declarações feitas pelos candidatos durante o encontro representam as posições apresentadas por cada campanha e devem ser analisadas à luz dos documentos e informações oficiais disponíveis sobre os temas discutidos.

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