Cúpula da Polícia Federal afirma que atuação dos investigadores ocorreu dentro de determinações judiciais e contesta suspeitas levantadas por ministros
A cúpula da Polícia Federal reagiu às declarações feitas durante uma sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) e negou a existência de uma estrutura clandestina dentro da corporação. A discussão veio à tona durante o julgamento realizado na terça-feira (15), quando os ministros Luiz Fux e André Mendonça mencionaram a possibilidade de uma chamada “PF paralela”.
Segundo informações divulgadas nesta quarta-feira (16), investigadores envolvidos nos trabalhos citados durante a sessão afirmam que a atuação da Polícia Federal ocorreu dentro de procedimentos oficiais e em cumprimento a determinações judiciais.
O principal ponto de discussão envolve um relatório de 218 páginas produzido pela PF e mencionado pelos ministros durante o julgamento. De acordo com a versão apresentada pela corporação, o documento foi elaborado a partir de uma determinação de André Mendonça, relator do caso relacionado ao Banco Master.
A investigação incluiu perícia e análise de informações extraídas de aparelhos celulares. Após a conclusão do trabalho técnico, o material foi encaminhado ao Supremo, conforme a explicação apresentada pela Polícia Federal.
Acusação provocou reação dentro da PF
A expressão “PF paralela” foi utilizada durante a sessão para se referir à suspeita de que integrantes da corporação poderiam estar realizando monitoramentos de ministros do Supremo sem autorização judicial.
A cúpula da Polícia Federal rejeita essa interpretação e sustenta que não há uma estrutura clandestina funcionando dentro da instituição.
Durante o julgamento, a atuação da PF foi mencionada em diferentes momentos pelos ministros. O assunto ganhou espaço principalmente nas discussões envolvendo os procedimentos relacionados a Alexandre de Moraes e André Mendonça.
Relatórios foram solicitados por ministros
Outro ponto destacado pelos investigadores é que a produção de relatórios pela Polícia Federal também ocorreu em outros procedimentos envolvendo integrantes do STF.
De acordo com as informações apresentadas pela corporação, um relatório foi solicitado por Alexandre de Moraes e acabou incorporado ao chamado inquérito das fake news. O documento tinha como objeto informações relacionadas a André Mendonça.
A PF afirma, portanto, que os trabalhos citados durante a sessão seguiram solicitações feitas dentro de processos que tramitam no Supremo.
Discussão aumenta tensão no Supremo
A controvérsia envolvendo a atuação da Polícia Federal ocorreu em meio a uma sessão marcada por divergências entre ministros do STF.
O julgamento discutia questões relacionadas aos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça e acabou interrompido após um pedido de vista apresentado por Flávio Dino.
Com a suspensão, parte das questões levantadas durante a sessão ainda deverá ser analisada pelo plenário em uma próxima oportunidade. A discussão sobre a atuação da Polícia Federal também deve continuar no contexto das investigações e dos processos que deram origem aos questionamentos apresentados pelos ministros.

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