Uma semana depois da tragédia, parentes de vítimas ainda não localizadas recorrem a cerimônias tradicionais enquanto equipes continuam as buscas
Uma semana após a devastadora avalanche que atingiu comunidades na região do Himalaia, famílias nepalesas começaram a realizar cerimônias fúnebres simbólicas para parentes que continuam desaparecidos.
A tragédia aconteceu em 26 de agosto, depois do colapso parcial de uma geleira na região próxima à fronteira entre o Nepal e a China. Uma enorme quantidade de água, gelo, pedras e lama desceu pelas áreas habitadas, destruindo casas, estradas, pontes e outras estruturas.
O desastre deixou mais de 1.100 mortos e milhares de pessoas ainda desaparecidas. Na manhã desta quarta-feira (2), autoridades nepalesas informaram que o número de mortos havia chegado a 1.127, enquanto 4.858 pessoas permaneciam desaparecidas.
Famílias enfrentam a falta de respostas
Para muitas famílias, a ausência de notícias sobre os parentes tornou o luto ainda mais difícil.
Depois de dias procurando por familiares em abrigos, hospitais e centros de identificação, algumas pessoas decidiram realizar os últimos ritos mesmo sem a localização dos corpos.
Durante as cerimônias, parentes utilizam representações simbólicas dos desaparecidos, seguindo tradições religiosas locais. A prática é vista como uma forma de prestar homenagem e permitir que a alma do ente querido encontre descanso.
Uma das famílias realizou a cerimônia para um homem que continua desaparecido. A esposa, acompanhada pelo filho, participou do ritual diante da incerteza sobre o paradeiro do familiar.
Buscas continuam em meio à destruição
Apesar da realização dos funerais simbólicos, as equipes de emergência ainda trabalham na tentativa de encontrar sobreviventes e recuperar corpos.
As buscas são especialmente difíceis em áreas onde grandes volumes de lama e destroços soterraram instalações hidrelétricas. Há trabalhadores que podem estar presos em túneis, e equipes especializadas continuam utilizando máquinas e equipamentos para tentar alcançar esses locais.
Segundo informações atualizadas nesta quarta-feira, equipes de resgate ainda concentram esforços em pontos considerados prioritários. Em algumas áreas, há esperança de encontrar trabalhadores vivos em estruturas que possam ter mantido condições mínimas de sobrevivência.
Corpos são enterrados sem identificação
A dimensão da tragédia também obrigou as autoridades nepalesas a adotar medidas emergenciais para lidar com o elevado número de mortos.
Em algumas regiões, corpos que ainda não foram identificados estão sendo enterrados em sepulturas coletivas e temporárias. Amostras de DNA e informações sobre os cadáveres estão sendo coletadas para permitir uma identificação posterior.
A medida provocou preocupação entre familiares e também questionamentos relacionados às tradições religiosas do Nepal, país de maioria hindu, onde a cremação dos mortos possui grande importância cultural e religiosa.
Uma tragédia que ultrapassa fronteiras
O desastre não atingiu apenas o Nepal. A onda de água e detritos também alcançou áreas do Tibete, administrado pela China.
Além das vítimas nepalesas, a China informou mortes e centenas de desaparecidos na região tibetana. Pessoas de diferentes nacionalidades também estão entre os desaparecidos, incluindo trabalhadores, turistas e peregrinos.
As equipes de resgate contam com apoio internacional para localizar vítimas, identificar corpos e fornecer equipamentos necessários às operações.
Esperança diminui, mas buscas continuam
Com o passar dos dias, a esperança de encontrar sobreviventes diminui, mas as operações ainda não foram encerradas.
Enquanto equipes procuram possíveis sobreviventes, milhares de famílias continuam aguardando informações sobre parentes que desapareceram na tragédia.
Para aqueles que já decidiram realizar funerais simbólicos, a cerimônia representa uma maneira de enfrentar uma das situações mais dolorosas possíveis: despedir-se de alguém sem ter a certeza de onde seu corpo está.
O Nepal agora enfrenta, além da emergência humanitária, o desafio de reconstruir comunidades inteiras destruídas pela força das águas e dos deslizamentos.

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