Grupo dono do Habib’s entra em recuperação judicial com dívida de R$ 265 milhões

Grupo Gennius, que também controla Ragazzo e Tendall Grill, busca reorganizar as finanças; empresas afirmam que lojas continuam funcionando normalmente

O Grupo Gennius, responsável pelo controle das redes Habib’s, Ragazzo e Tendall Grill, entrou em recuperação judicial com uma dívida declarada de R$ 265,2 milhões. O pedido foi apresentado à Justiça de São Paulo na segunda-feira (24) e aceito no dia seguinte pela 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais.

Segundo o grupo, a medida faz parte de um processo de reestruturação financeira e tem como objetivo preservar a continuidade dos negócios e permitir a negociação das dívidas com os credores. A empresa informou que as operações das redes seguem funcionando normalmente, sem interrupção no atendimento aos consumidores.

Crise financeira

Entre os fatores apontados para a crise estão os impactos provocados pela pandemia de Covid-19, as mudanças no comportamento dos consumidores e o crescimento das plataformas de delivery e marketplaces.

O cenário também foi agravado pelo período de juros elevados e pelo aumento dos custos de operação. De acordo com informações do processo, a manutenção de grandes lojas físicas, muitas delas com estacionamento, áreas infantis e serviço de drive-thru, tornou-se mais difícil financeiramente nos últimos anos.

Antes de recorrer à recuperação judicial, o grupo já havia conseguido uma tutela cautelar para obter proteção temporária contra credores e ganhar tempo para negociar o passivo. Como as negociações não foram suficientes para solucionar a situação financeira, a empresa decidiu avançar para o processo de recuperação judicial.

Uma das maiores redes de alimentação do país

Fundado em 1988 por Alberto Saraiva, o Habib’s cresceu rapidamente por meio do sistema de franquias e se tornou uma das principais redes de alimentação do Brasil.

Na década de 2010, a companhia chegou a operar cerca de 600 unidades e alcançou faturamento anual de aproximadamente R$ 3 bilhões. A estratégia de preços baixos, especialmente com as tradicionais esfihas, ajudou a marca a conquistar uma ampla parcela dos consumidores brasileiros.

Com o passar dos anos, porém, o modelo de grandes estabelecimentos de rua passou a enfrentar maior pressão de custos e mudanças nos hábitos de consumo.

Recuperação não significa fechamento das lojas

A entrada em recuperação judicial não representa, por si só, a falência ou o encerramento imediato das atividades. O mecanismo permite que empresas em dificuldades financeiras negociem suas dívidas e apresentem um plano de pagamento aos credores, buscando preservar a atividade econômica.

A Justiça concedeu ao Grupo Gennius um prazo de 60 dias para apresentar o plano de recuperação judicial. A KPMG Corporate Finance foi nomeada para atuar como administradora judicial e acompanhar o processo.

O grupo afirma que pretende utilizar o processo para reorganizar suas finanças e manter suas operações no longo prazo.

Próximos passos

Agora, a empresa deverá apresentar à Justiça um plano detalhando como pretende reorganizar o endividamento e cumprir suas obrigações com os credores. O andamento do processo será acompanhado pela Justiça, pela administradora judicial e pelas partes envolvidas.

A recuperação judicial representa um dos momentos mais delicados da história do grupo, mas, segundo a própria empresa, o objetivo é justamente evitar uma interrupção das atividades e criar condições para a retomada financeira das marcas.

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