Deputados protocolam pedido de impeachment contra Priscila Krause na Alepe

A vice-governadora de Pernambuco, Priscila Krause (PSD), tornou-se alvo de um pedido de impeachment protocolado na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). A representação foi apresentada pelos deputados estaduais Rodrigo Farias, Romero Albuquerque e Sileno Guedes, todos do PSB, e também cita a secretária estadual de Saúde, Zilda Cavalcanti.

O documento aponta possíveis crimes de responsabilidade, atos lesivos ao patrimônio público e supostas irregularidades na aplicação de recursos públicos. Um dos principais pontos levantados pelos parlamentares envolve a relação entre Priscila Krause e a Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro Ltda., unidade que tem como principal sócio e administrador Jorge Branco, marido da vice-governadora.

Segundo os deputados, quando Priscila assumiu interinamente o comando do Governo de Pernambuco, entre 2024 e 2025, cerca de R$ 200 milhões em orçamento foram autorizados para áreas que, de acordo com a representação, também alcançariam a unidade de saúde administrada pelo marido da vice-governadora. Para os parlamentares, a situação levanta questionamentos sobre um possível conflito de interesses e precisa ser investigada.

A representação também toma como base uma auditoria realizada pelo Departamento Nacional de Auditoria do SUS (DenaSUS), órgão vinculado ao Ministério da Saúde. O relatório apontou inconsistências em serviços de oncologia, UTI e hemodiálise prestados pela unidade por meio de contratos com a Secretaria Estadual de Saúde.

Auditoria aponta inconsistências

De acordo com as informações divulgadas sobre a auditoria, foram analisados R$ 55,8 milhões em recursos federais repassados pelo Fundo Nacional de Saúde entre janeiro de 2023 e julho de 2025 para serviços de média e alta complexidade.

Na área de oncologia, dos 60 atendimentos analisados, 33 apresentaram cobranças consideradas incompatíveis com as informações registradas nos prontuários. O relatório também apontou inconsistências em 113 autorizações relacionadas a procedimentos sequenciais.

Na avaliação dos serviços de UTI, a auditoria identificou divergências entre a quantidade de leitos informada pela unidade e os registros oficiais. A Casa de Saúde afirma possuir 31 leitos de UTI adulta, sendo 11 destinados ao SUS. Já o relatório apontou oito leitos de UTI adulta e outros dez destinados a pacientes com Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG).

Os deputados afirmam que as conclusões da auditoria reforçam a necessidade de apuração das responsabilidades e justificam a apresentação do pedido de impeachment.

Tramitação depende da Alepe

Após o protocolo, caberá ao presidente da Assembleia Legislativa, Álvaro Porto (MDB), analisar os próximos passos da representação. Caso o pedido seja admitido, a matéria deverá ser encaminhada à Comissão de Constituição, Legislação e Justiça (CCLJ) e, posteriormente, ao Plenário da Casa.

Segundo o deputado Romero Albuquerque, são necessários 33 votos, o equivalente a dois terços dos 49 parlamentares da Alepe, para a abertura do processo de impeachment contra a vice-governadora e a secretária de Saúde. Os autores negam que a iniciativa tenha motivação exclusivamente política e afirmam que o pedido foi apresentado após a divulgação dos resultados da auditoria federal.

Até o momento, a assessoria da vice-governadora Priscila Krause não havia apresentado manifestação sobre as acusações. A Secretaria Estadual de Saúde também é citada na representação. As alegações apresentadas pelos deputados ainda dependem de análise pelas instâncias competentes e não representam, por si só, uma conclusão definitiva sobre eventual responsabilidade das autoridades citadas.

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