Governo entrega UTI reformada do Hospital Agamenon Magalhães em meio a alerta sobre fila de cirurgias

Unidade recebeu melhorias estruturais, enquanto auditoria do TCE-PE aponta espera de até 29 meses por procedimentos e problemas na gestão do centro cirúrgico

O Governo de Pernambuco entregou, nesta quarta-feira (12), a requalificação da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) adulto do Hospital Agamenon Magalhães (HAM), no Recife. A entrega ocorre no mesmo dia em que o Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) divulgou uma auditoria apontando problemas na realização de cirurgias eletivas e uma fila de milhares de pacientes à espera de procedimentos.

A UTI reformada é destinada ao atendimento de pacientes da clínica médica e passou por uma série de intervenções estruturais. Entre as melhorias estão a substituição do piso e do forro, modernização da iluminação, instalação de novos aparelhos de ar-condicionado e camas elétricas, além da revisão e individualização da rede de gases medicinais para os leitos. Apesar da entrega, a situação encontrada em outras áreas do hospital chama atenção. Nesta quarta-feira, corredores da unidade foram registrados com pacientes adultos acomodados em macas, evidenciando a pressão sobre a estrutura hospitalar.

Auditoria aponta fila de 2,7 mil pacientes

De acordo com auditoria realizada pelo TCE-PE sobre a capacidade do Hospital Agamenon Magalhães para realizar cirurgias eletivas em 2024, foram identificadas deficiências estruturais, problemas na programação dos procedimentos, alto número de cancelamentos e uma demanda reprimida de pacientes.

O levantamento aponta que 2.714 pessoas aguardavam por cirurgias, com situação especialmente preocupante na área de Otorrinolaringologia/Cabeça e Pescoço. Nessa especialidade, o tempo estimado de espera chegou a aproximadamente 29 meses. O tribunal também apontou que não houve evolução significativa no desempenho geral do hospital em comparação com fiscalizações anteriores realizadas em 2023 e 2025. Segundo a auditoria, houve queda na produtividade e aumento no período de espera dos pacientes.

Cancelamentos superam limite previsto

Outro problema identificado pelo TCE-PE está relacionado ao cancelamento de procedimentos cirúrgicos. Ao todo, foram registrados 715 cancelamentos, sendo que a maior parte estaria relacionada a fatores internos da gestão, incluindo falhas de planejamento e ausência de equipes médicas. Com isso, o índice de cancelamento chegou a 20,6% das cirurgias programadas, acima do limite de 5% estabelecido no Plano Operativo Assistencial (POA).

A auditoria também identificou inconsistências nos registros, falhas na programação dos procedimentos e problemas no acompanhamento dos cancelamentos. O documento aponta ainda a ausência de protocolos considerados adequados para controle e monitoramento das cirurgias eletivas.

Pacientes relatam longa espera

A dificuldade para conseguir procedimentos também é relatada por pacientes e familiares que aguardam atendimento no hospital. Uma mãe, que preferiu não ser identificada, contou que a filha, de dois anos, espera há mais de um ano por um implante coclear para tratar uma perda auditiva severa. Enquanto aguarda pelo procedimento, a criança segue realizando acompanhamento com uma fonoaudióloga do próprio Hospital Agamenon Magalhães.

Centro cirúrgico opera abaixo da capacidade

A fiscalização também encontrou problemas relacionados à estrutura física e à disponibilidade de profissionais. Segundo o TCE-PE, quatro salas cirúrgicas estavam inativadas, enquanto o centro cirúrgico apresentava períodos de subutilização por falta de escala médica. Também foram identificados atrasos no início das primeiras cirurgias do dia e descumprimento de escalas operacionais.

Como consequência, a produtividade anual do centro cirúrgico alcançou apenas 63,5% da meta estabelecida no Plano Operativo e 63,2% da capacidade cirúrgica aferida. A entrega da UTI representa uma melhoria na estrutura de atendimento do hospital, mas ocorre em um cenário de desafios apontados pela fiscalização estadual, principalmente relacionados à fila de cirurgias, ao funcionamento do centro cirúrgico e à gestão dos procedimentos eletivos.

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