O Brasil se aproxima de mais uma eleição presidencial e, desta vez, o eleitor terá diante de si nomes com histórias, profissões, patrimônios e trajetórias políticas muito diferentes. E, no Portal Radar da família, nós vamos fazer aquilo que todo eleitor deveria fazer antes de apertar a tecla CONFIRMA:
Pesquisar quem está pedindo o seu voto.
Não vamos fazer propaganda para candidato A ou candidato B. Também não vamos transformar investigação em condenação, nem condenação anulada em condenação vigente. Vamos separar fato de acusação, processo de sentença e sentença de decisão definitiva.
Os cinco nomes que vamos analisar hoje são:
Luiz Inácio Lula da Silva, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos.
1. LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA — PT
Começamos pelo atual presidente da República. Lula nasceu em Garanhuns, Pernambuco, em 1945. Antes de entrar definitivamente para a política, sua trajetória foi muito diferente da de um político tradicional. Ainda jovem, mudou-se com a família para São Paulo e trabalhou como metalúrgico. Foi torneiro mecânico e posteriormente ganhou projeção como líder sindical no ABC Paulista. Na década de 1970, tornou-se uma das principais lideranças do movimento sindical dos metalúrgicos e comandou grandes greves durante a ditadura militar.
Na declaração apresentada à Justiça Eleitoral em 2026, Lula informou patrimônio de aproximadamente R$ 4,77 milhões. O valor representa uma queda em relação aos cerca de R$ 7,42 milhões declarados em 2022. Parte significativa do patrimônio atual está concentrada em planos de previdência privada.
E A FICHA JUDICIAL?
Lula foi condenado em processos relacionados à Operação Lava Jato e chegou a ser preso. Em 2021, entretanto, o Supremo Tribunal Federal confirmou a anulação das condenações porque entendeu que a Justiça Federal de Curitiba não era competente para julgar aqueles processos. Portanto, essas condenações não permanecem válidas como condenações criminais contra Lula.
Para as eleições de 2026, Lula apresentou 88 certidões criminais à Justiça Eleitoral. Essas certidões fazem parte da documentação usada para verificar a situação jurídica do candidato.
OBS:
Na pesquisa realizada para esta reportagem, não encontramos elemento atual e relevante que permita afirmar que Lula tenha uma condenação criminal decorrente de questão familiar ou trabalhista pessoal.
2. FLÁVIO BOLSONARO — PL
Agora vamos ao principal nome do campo bolsonarista na disputa presidencial. Flávio Nantes Bolsonaro nasceu em 1981, no Rio de Janeiro. Antes de chegar ao Senado, formou-se em Direito e também atuou como empresário e advogado. Mas sua carreira política começou cedo. Em 2003, assumiu o primeiro mandato como deputado estadual no Rio de Janeiro. Permaneceu na Assembleia Legislativa até 2019, quando tomou posse como senador pelo Rio de Janeiro. Em 2026, foi escolhido pelo PL para disputar a Presidência da República.
PATRIMÔNIO
Em declaração anterior ao TSE, Flávio informou patrimônio na faixa de R$ 1,7 milhão. Documentos parlamentares também registram esse valor como referência de patrimônio declarado à Justiça Eleitoral.
CASO DA “RACHADINHA”
O nome de Flávio Bolsonaro ficou associado durante anos às investigações sobre suposto esquema de desvio de salários de assessores quando ele era deputado estadual. Mas a situação jurídica precisa ser apresentada corretamente. O Ministério Público chegou a oferecer denúncia, mas decisões judiciais anularam medidas de investigação e, posteriormente, a Justiça do Rio arquivou a denúncia apresentada pelo Ministério Público.
Não encontramos uma condenação pessoal relevante de Flávio Bolsonaro por questão trabalhista ou familiar.
3. RONALDO CAIADO — PSD
Agora vamos falar de um candidato com uma trajetória completamente diferente. Ronaldo Caiado nasceu em Anápolis, Goiás, em 1949. Antes da política, formou-se em Medicina, especializou-se em ortopedia e também atuou como professor. Além da medicina, tornou-se produtor rural e ganhou projeção nacional defendendo os interesses do setor agropecuário. Na década de 1980, foi um dos fundadores da União Democrática Ruralista, a UDR. Entrou na política eleitoral e foi deputado federal, senador e, posteriormente, governador de Goiás.
PATRIMÔNIO
Caiado declarou patrimônio de aproximadamente R$ 24,8 milhões em eleição anterior.
Em dezembro de 2024, uma juíza eleitoral condenou Caiado a oito anos de inelegibilidade por abuso de poder político em razão de eventos realizados no Palácio das Esmeraldas durante a eleição municipal de Goiânia. Mas a história não terminou ali. Em abril de 2025, o Tribunal Regional Eleitoral de Goiás reverteu a decisão e manteve Caiado elegível, substituindo a penalidade por multas.
NOVO PROCESSO EM 2026
Existe ainda uma questão atual envolvendo o uso de policiais militares na segurança de Caiado e de familiares após o término do governo de Goiás. O Ministério Público de Goiás entrou com ação questionando o uso de 51 policiais para essa finalidade e pediu ressarcimento ao erário. Não encontramos, na apuração realizada para esta edição, uma condenação criminal pessoal de Caiado decorrente de questão familiar ou trabalhista.
4. ROMEU ZEMA — NOVO
Agora vamos para um candidato que entrou na política vindo diretamente do setor empresarial. Romeu Zema nasceu em Araxá, Minas Gerais. É formado em Administração pela Fundação Getulio Vargas. Antes da política, construiu carreira empresarial dentro do Grupo Zema, empresa da família que atua em diferentes setores. Zema chegou a presidir o Conselho de Administração do grupo e só deixou a posição em 2016.
Em 2018, entrou na política pela primeira vez e foi eleito governador de Minas Gerais. Em 2022, foi reeleito.
Ou seja:
Ao contrário de Lula, Caiado e Flávio Bolsonaro, Zema construiu praticamente toda a sua trajetória profissional antes de disputar um cargo político.
PATRIMÔNIO
Aqui está um dos números que mais chamam atenção nesta eleição. Romeu Zema declarou aproximadamente R$ 178,7 milhões em patrimônio em 2026.
PROCESSOS
Zema enfrenta atualmente uma ação penal relacionada a acusações de calúnia apresentadas pelo ministro Gilmar Mendes. Em junho de 2026, Zema foi intimado pela Justiça Federal no processo. O caso teve origem em declarações e vídeos publicados pelo ex-governador nas redes sociais.
QUESTÃO TRABALHISTA
Existe também uma investigação aberta pelo Ministério Público do Trabalho relacionada a declarações de Zema sobre crianças no mercado de trabalho. O MPT recebeu denúncia alegando possível apologia ao trabalho infantil e ameaça a direitos coletivos.
5. RENAN SANTOS — MISSÃO
E agora chegamos a um nome mais novo na política institucional. Renan Santos ficou conhecido nacionalmente por sua atuação no Movimento Brasil Livre, o MBL. É empresário, ativista, músico e político. Foi um dos fundadores e coordenadores do MBL e posteriormente tornou-se presidente do Partido Missão, legenda aprovada pelo TSE em 2025. Diferentemente de Lula, Caiado, Flávio e Zema, Renan Santos não possui uma longa carreira ocupando cargos eletivos. Sua trajetória política nasceu principalmente no ativismo, na comunicação e na mobilização política pelas redes sociais.
PATRIMÔNIO
Renan Santos declarou ao TSE aproximadamente R$ 795 mil em bens. Entre os itens aparecem créditos e poupança vinculados, quotas de capital, participações societárias e bens relacionados à atividade profissional.
PROCESSOS
Há registros de processos envolvendo o nome de Renan Santos em sistemas judiciais. Um dos registros encontrados em bases públicas está relacionado a processo criminal em São Paulo.
Não encontramos uma condenação pessoal relevante de Renan Santos por questão familiar ou trabalhista.
CONCLUSÃO
E depois de olhar para todos esses nomes, talvez a principal conclusão seja justamente esta: não existe candidato sem história. Um veio da fábrica, outro veio da advocacia e da política estadual, outro veio da medicina e do agronegócio. Outro veio do mundo empresarial. E outro veio do ativismo político e das redes sociais.
Os patrimônios também são completamente diferentes. Temos um candidato com menos de um milhão de reais declarados e outro com patrimônio superior a 178 milhões. Por isso, ouvinte eleitor, não aceite apenas o vídeo de 30 segundos, o corte de podcast, a postagem de Instagram ou a fala apaixonada de um militante.
Pesquise, Leia, Compare, Pergunte.
E, principalmente, diferencie fato de propaganda. Porque candidato pode prometer muita coisa. Mas quem vai colocar o voto na urna é você.

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