Material ironiza declaração de bens da governadora e também faz referência à disputa presidencial
O Centro do Recife amanheceu nesta terça-feira (11) com cédulas falsas de R$ 1 contendo a imagem da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD). O material foi espalhado em diferentes pontos da região e faz críticas à chefe do Executivo estadual em meio ao cenário político que antecede as eleições deste ano. A ação utiliza como principal alvo a declaração de bens apresentada por Raquel Lyra à Justiça Eleitoral. No documento, consta o registro de R$ 1 mantido em uma conta bancária no Bradesco. O valor passou a ser explorado politicamente por grupos adversários da governadora.
Além da imagem de Raquel nas cédulas, o material também apresenta uma montagem com a governadora ao lado do senador Flávio Bolsonaro (PL). A publicação busca associar Raquel a uma possível preferência pelo parlamentar para a disputa pela Presidência da República. A distribuição das cédulas ocorre em um momento de forte movimentação política em Pernambuco e é atribuída a grupos ligados ao campo político do ex-prefeito do Recife João Campos (PSB), que deverá disputar a eleição estadual contra Raquel Lyra.
Estratégia lembra eleição de 1985
A utilização de materiais apócrifos para provocar adversários políticos remete a uma das campanhas eleitorais mais marcantes da história recente do Recife. Em 1985, a capital pernambucana voltou a escolher diretamente seu prefeito depois de aproximadamente duas décadas de prefeitos nomeados durante o regime militar. A disputa daquele ano foi protagonizada por Jarbas Vasconcelos, então candidato pelo PSB, e Sérgio Murilo, do MDB.
Durante a campanha, panfletos apócrifos foram espalhados pela cidade com a frase “Recife não votaria em assassino”. O material fazia referência a uma acusação apresentada pelo então deputado Carlos Lapa contra Sérgio Murilo, a quem atribuiu responsabilidade pela morte de uma pessoa. O episódio teve grande repercussão durante a campanha e passou a ser lembrado como um exemplo de estratégia política utilizada em disputas eleitorais.
Jarbas Vasconcelos venceu aquela eleição e, posteriormente, retornou ao MDB, partido ao qual permanece filiado. Mais de quatro décadas depois, a distribuição das cédulas falsas com a imagem de Raquel Lyra recupera elementos semelhantes de campanhas políticas do passado, utilizando sátira e provocação como instrumentos de disputa eleitoral.

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