Peixe-leão avança no litoral da Bahia e quase 500 exemplares são retirados do mar

Espécie invasora e venenosa preocupa autoridades por ameaçar a biodiversidade e oferecer riscos a pescadores, mergulhadores e banhistas

Quase 500 peixes-leão foram retirados do litoral de Porto Seguro, no extremo sul da Bahia, em aproximadamente um mês. A ação faz parte de uma estratégia adotada pelo município para tentar conter o avanço da espécie invasora, que vem preocupando autoridades ambientais e pesquisadores.

A captura está sendo realizada por pescadores da região em parceria com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Causa Animal (Semac). Como incentivo temporário, os pescadores recebem R$ 10 por exemplar capturado e entregue à Colônia de Pescadores. A medida deve permanecer em vigor por mais um mês e posteriormente ser reduzida de forma gradual.

Espécie preocupa por falta de predadores

O peixe-leão é originário da região do Indo-Pacífico, mas conseguiu se estabelecer em diferentes áreas do oceano Atlântico. No litoral brasileiro, a espécie vem avançando para novas regiões e encontra condições favoráveis para reprodução e alimentação.

Um dos principais problemas é que o animal não possui predadores naturais em quantidade suficiente no Atlântico. Com isso, pode competir diretamente com espécies nativas por alimento e espaço.

Além de afetar a biodiversidade marinha, a proliferação do peixe-leão pode provocar impactos na pesca e no turismo, especialmente em áreas de recifes e outros ambientes considerados importantes para a vida marinha.

Primeira ocorrência em Porto Seguro foi registrada em junho

Em Porto Seguro, o primeiro registro oficial da espécie no Parque Natural Municipal Marinho do Recife de Fora ocorreu em 12 de junho de 2026.

O município considera que a invasão ainda está em uma fase inicial e decidiu adotar medidas de monitoramento e retirada dos animais para tentar impedir que a população aumente de forma descontrolada.

Um Plano Municipal de Ação para o Enfrentamento ao Peixe-Leão foi publicado em agosto e prevê ações de monitoramento, captura, pesquisa científica, capacitação de profissionais e prevenção de acidentes.

Peixe possui espinhos venenosos

Além do impacto ambiental, o peixe-leão representa um risco direto para quem entra em contato com o animal.

A espécie possui até 18 espinhos venenosos, principalmente nas nadadeiras. Uma perfuração pode provocar dor intensa e outros sintomas, incluindo náuseas e, em casos mais graves, convulsões.

Por isso, pescadores, mergulhadores e demais pessoas que frequentam o mar são orientados a não tocar no animal, mesmo que ele pareça morto.

Em caso de acidente, a recomendação é procurar atendimento médico. O município também prevê ações de capacitação e orientação para reduzir o número de acidentes envolvendo a espécie.

Animais capturados serão utilizados em pesquisas

Os peixes retirados do mar não devem ser devolvidos vivos ao ambiente. Inicialmente, os exemplares são encaminhados para o Laboratório de Ecologia e Conservação Marinha da Universidade Federal do Sul da Bahia (LECOMAR/UFSB).

Os pesquisadores pretendem analisar características dos animais, incluindo tamanho, peso, alimentação, genética, reprodução e distribuição.

As informações poderão ajudar a entender melhor o avanço da espécie e contribuir para a elaboração de estratégias mais eficientes de controle.

Município estuda novas formas de controle

O plano de enfrentamento também prevê outras medidas para os próximos períodos. Entre elas estão o acompanhamento da população de peixe-leão, capacitação de pescadores e mergulhadores e campanhas de conscientização.

A prefeitura ainda avalia a possibilidade de, no futuro, estudar o aproveitamento do peixe capturado, inclusive para eventual utilização comercial, desde que sejam observados os critérios sanitários, ambientais e econômicos.

O objetivo principal, neste momento, é impedir que a espécie invasora se espalhe ainda mais e provoque impactos maiores sobre o ecossistema marinho da região.

A retirada de quase 500 exemplares em apenas um mês mostra a dimensão do desafio enfrentado por Porto Seguro e reforça a necessidade de monitoramento contínuo do litoral baiano.

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