Colapso de geleira provocou avalanche de gelo e rochas seguida por enchentes devastadoras na fronteira com o Tibete; buscas continuam
O número de mortos na tragédia que atingiu a região do Himalaia, na fronteira entre o Nepal e o Tibete, subiu para 538, segundo as autoridades nepalesas. O desastre começou após o colapso de uma parte de uma geleira, que provocou uma enorme movimentação de gelo e rochas e, na sequência, uma enxurrada de água, lama e detritos.
Além das vítimas fatais, 977 pessoas continuam desaparecidas no Nepal, entre elas centenas de estrangeiros que estavam na região a trabalho, em viagens de turismo ou em peregrinação. As autoridades informaram ainda que mais de 3.700 pessoas já foram resgatadas.
Desastre atingiu região turística
A área afetada fica próxima à fronteira com o Tibete e é conhecida pela presença de turistas, montanhistas e peregrinos que visitam diferentes pontos do Himalaia.
A força da enxurrada destruiu casas, estradas, pontes e outras estruturas. Comunidades inteiras foram atingidas pela grande quantidade de água, lama e pedras que desceu rapidamente pelos vales.
De acordo com uma análise da Reuters, o desastre teve início quando uma parte inferior da geleira Langtang Lirung se rompeu e caiu sobre o vale. O movimento desencadeou uma avalanche de gelo e rochas, que posteriormente se transformou em um gigantesco fluxo de detritos e água.
Quase mil pessoas seguem desaparecidas
As equipes de emergência continuam procurando sobreviventes, mas enfrentam enormes dificuldades devido à destruição das vias de acesso e às condições instáveis da região.
Entre os desaparecidos estão 517 estrangeiros, além de moradores locais e integrantes de forças de segurança e outros órgãos públicos.
As autoridades alertam, entretanto, que os números ainda podem sofrer alterações à medida que as equipes conseguem acessar áreas isoladas e identificar vítimas.
Novo risco ameaça equipes de resgate
O trabalho das equipes de emergência também foi prejudicado pelo surgimento de lagos formados pelo acúmulo de água e detritos.
Um desses reservatórios chegou a transbordar, provocando preocupação com novas enchentes e obrigando equipes de resgate a adotar medidas de segurança.
As autoridades nepalesas continuam monitorando outros pontos considerados de risco para evitar que uma nova onda de água atinja as áreas já devastadas.
China também registra mortes
O desastre ultrapassou a fronteira e também atingiu áreas do lado chinês, no Tibete.
Segundo informações divulgadas pelas autoridades chinesas, cinco pessoas morreram no território do país. Centenas de outras permanecem desaparecidas.
Somando os números dos dois lados da fronteira, o desastre já provocou mais de 540 mortes, embora os balanços ainda sejam considerados preliminares e possam aumentar.
Mudanças climáticas entram no debate
Especialistas também analisam a influência das mudanças climáticas sobre a estabilidade das geleiras do Himalaia.
O aquecimento das temperaturas pode acelerar o derretimento do gelo e contribuir para a instabilidade de áreas montanhosas, aumentando o risco de deslizamentos, avalanches e enchentes provocadas pelo rompimento de reservatórios naturais.
Pesquisadores ressaltam, porém, que a relação entre o evento específico e as mudanças climáticas ainda precisa ser estudada detalhadamente.
Resgate continua em meio à destruição
Mesmo diante das dificuldades, as equipes de emergência continuam trabalhando para localizar sobreviventes e retirar pessoas de áreas isoladas.
Helicópteros têm sido utilizados para transportar vítimas e pessoas que precisam deixar as regiões atingidas. Mais de 3.700 pessoas já foram resgatadas desde o início da tragédia.
A prioridade das autoridades permanece sendo encontrar os desaparecidos, atender os feridos e reduzir os riscos de novos desastres enquanto a região permanece instável.
A dimensão da destruição ainda está sendo avaliada, e o balanço definitivo de vítimas deverá levar tempo para ser conhecido.

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