Lula minimiza preocupação com dívida pública e afirma que Brasil terá superávit em 2026

Presidente diz que recebeu o governo com déficit de 2,8% do PIB e afirma que crescimento econômico será fundamental para melhorar a relação entre dívida e PIB

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quinta-feira (27), que não considera a dívida pública brasileira motivo de preocupação. A declaração foi feita durante sabatina promovida pela TV Globo, em meio a questionamentos sobre o aumento do endividamento do país durante seu atual mandato.

Segundo Lula, o governo que assumiu em janeiro de 2023 apresentava um déficit fiscal equivalente a 2,8% do Produto Interno Bruto (PIB). O presidente afirmou que, em 2026, a expectativa é encerrar o ano com superávit primário de 0,1% do PIB.

“Se tem alguém nesse país que tem responsabilidade fiscal, sou eu”, declarou Lula ao ser questionado sobre a situação das contas públicas.

Dívida chegou a 81,9% do PIB

Os questionamentos ocorreram diante do avanço da dívida pública brasileira. De acordo com os dados apresentados durante a entrevista, a relação entre a dívida e o PIB chegou a 81,9% em junho de 2026.

A dívida bruta aumentou mais de dez pontos percentuais desde o início do atual mandato de Lula, quando estava em torno de 72% do PIB.

Apesar do crescimento do endividamento, Lula argumentou que o indicador precisa ser analisado em conjunto com o desempenho da economia. Para o presidente, o crescimento do PIB pode fazer com que a dívida diminua proporcionalmente.

“Na medida que você começa a crescer a economia, a dívida começa a cair em relação ao PIB”, afirmou.

Presidente compara Brasil com outras economias

Durante a sabatina, Lula também procurou relativizar o nível de endividamento brasileiro ao fazer comparações com grandes economias mundiais.

O presidente citou países como Estados Unidos, Japão e Itália, que apresentam relações entre dívida e PIB superiores às do Brasil em determinados indicadores.

Segundo Lula, o problema brasileiro estaria relacionado principalmente ao longo período de baixo crescimento econômico e aos juros elevados, que aumentam o custo do financiamento da dívida pública.

O presidente também voltou a criticar os efeitos das taxas de juros sobre as contas públicas e lembrou o período em que o Banco Central era comandado por Roberto Campos Neto, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

Lula atribui déficit inicial ao governo anterior

Ao justificar sua avaliação sobre as contas públicas, Lula voltou a mencionar a situação fiscal encontrada no início de seu terceiro mandato.

O presidente afirmou que recebeu o governo com um déficit de 2,8% do PIB e citou despesas que, segundo ele, precisaram ser assumidas pela atual administração.

Lula também mencionou a chamada PEC da Transição, aprovada no fim de 2022, como uma medida necessária para permitir que o novo governo tivesse recursos para cumprir compromissos assumidos anteriormente.

Segundo o presidente, havia cerca de R$ 94 bilhões em despesas que precisaram ser pagas pela administração que assumiu em 2023.

Governo aposta no crescimento econômico

Questionado sobre a possibilidade de adotar medidas mais duras de ajuste fiscal em um eventual quarto mandato, Lula não apresentou metas específicas para redução da relação entre dívida e PIB.

O presidente afirmou que sua prioridade será promover o crescimento econômico e investir em áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento do país.

Entre os projetos mencionados estão investimentos em tecnologia, inteligência artificial, exploração de minerais críticos e terras raras.

Lula também afirmou que pretende ampliar a capacidade brasileira na área de tecnologia, defendendo o desenvolvimento de uma inteligência artificial com linguagem em português.

Debate fiscal deve continuar nas eleições

A situação das contas públicas deve permanecer entre os principais temas do debate econômico durante as eleições de 2026.

Enquanto o governo destaca o crescimento da economia e a expectativa de resultado primário positivo, críticos apontam a trajetória crescente da dívida e os efeitos dos juros sobre as contas públicas.

Durante a sabatina, Lula reafirmou que considera sua política econômica responsável e disse confiar na equipe responsável pela condução das finanças do país.

A discussão sobre gastos, dívida, juros e equilíbrio fiscal deve ganhar ainda mais espaço nos próximos meses, especialmente diante das propostas dos candidatos para o próximo mandato presidencial.

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