Presidente declarou que não pretende interferir nas investigações da Polícia Federal e afirmou que o empresário deverá prestar esclarecimentos caso seja chamado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que acredita na inocência de seu filho, o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, que é investigado pela Polícia Federal em um caso relacionado a suspeitas de tráfico de influência e corrupção.
A declaração foi feita na quinta-feira (27), durante uma sabatina promovida pela TV Globo. Lula afirmou que não haverá proteção por parte do governo caso as investigações apontem que o filho tenha cometido algum crime.
Segundo o presidente, Lulinha deverá responder pelos próprios atos caso seja comprovado algum ilícito. Ao mesmo tempo, Lula disse acreditar que o empresário será inocentado ao final do processo.
“Se ele fez um erro, ele pagará; não tem outro jeito. Ele não será protegido por ser meu filho”, afirmou o presidente durante a entrevista.
Investigação da Polícia Federal
A Polícia Federal apura se Lulinha teria atuado para favorecer o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, em negociações envolvendo o Ministério da Saúde.
Antunes é apontado como um dos principais personagens investigados no esquema relacionado a descontos considerados ilegais em benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A ligação de Lulinha com o caso, segundo as informações divulgadas, envolve sua relação com a lobista Roberta Luchsinger, que teria ligação com Antunes. A investigação ainda busca esclarecer o papel de cada pessoa envolvida.
Presidente diz que não haverá interferência
Questionado sobre a possibilidade de utilização da estrutura do governo para beneficiar o filho, Lula afirmou que não pretende afastar delegados da Polícia Federal nem interferir no andamento das investigações.
O presidente também declarou que, caso Lulinha seja chamado para prestar depoimento, deverá comparecer e colaborar com os procedimentos conduzidos pelas autoridades.
Lula afirmou ainda que não é responsável por conduzir a investigação e destacou que ocupa simultaneamente a posição de presidente da República e pai do empresário.
“Se o Fábio cometeu qualquer ilícito, ele terá que pagar como qualquer cidadão brasileiro”, declarou.
Lula critica vazamentos
Durante a entrevista, o presidente também criticou o que classificou como vazamentos de informações da investigação para a imprensa.
Lula afirmou que conversas envolvendo seu filho estariam sendo divulgadas antes da conclusão dos procedimentos e defendeu que o caso avance até que exista uma definição pelas autoridades competentes.
O presidente também classificou parte dos elementos apresentados como “ilações tiradas de telefonemas” e comparou a situação com experiências que enfrentou durante as investigações da Operação Lava Jato.
Caso ainda está sob investigação
As declarações de Lula ocorrem enquanto a Polícia Federal mantém investigações envolvendo Lulinha em três inquéritos relacionados a suspeitas de tráfico de influência em contratos ligados ao governo.
Até o momento, trata-se de uma investigação, e não de uma condenação. Eventuais responsabilidades ainda precisam ser apuradas pelas autoridades e analisadas dentro dos procedimentos legais.
O presidente, apesar de afirmar que acredita na inocência do filho, reiterou que ele deverá prestar esclarecimentos e responder individualmente caso seja comprovada alguma irregularidade.
A investigação deve continuar nos próximos meses, enquanto a Polícia Federal reúne informações para esclarecer as relações e possíveis condutas atribuídas aos envolvidos.

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