Secretaria da Educação de São Paulo abriu apuração sobre as declarações feitas durante encontro virtual com gestores escolares de Mogi das Cruzes
A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) determinou o afastamento de Roselaine Batalha Silva da função de dirigente da Unidade Regional de Ensino de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. A medida foi tomada após declarações feitas pela educadora durante uma reunião virtual com diretores de escolas, realizada no dia 12 de agosto.
Durante o encontro, a servidora recomendou aos gestores a leitura de biografias de Adolf Hitler, líder da Alemanha nazista, e Benito Mussolini, ditador fascista italiano. Segundo registros da reunião divulgados posteriormente, as obras foram apresentadas durante uma discussão sobre liderança e trajetória de figuras históricas.
A educadora também mencionou o livro Mein Kampf, de Hitler, e fez comentários positivos sobre a capacidade de liderança do ditador alemão. As declarações provocaram repercussão e levaram a Secretaria da Educação a determinar a retirada de Roselaine da função que exercia.
Secretaria abriu investigação
Em nota, a Seduc-SP informou que determinou a cessação da função de dirigente exercida pela servidora e instaurou uma apuração administrativa para verificar os fatos e as circunstâncias relacionadas às declarações.
A secretaria afirmou ainda que não compactua com manifestações que contrariem os princípios e valores que orientam a educação pública paulista e ressaltou que as declarações atribuídas à educadora não representam o posicionamento oficial da pasta.
Ministério Público também analisa o caso
O episódio também chegou ao Ministério Público de São Paulo (MPSP). O órgão informou que recebeu uma representação apresentada pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp).
O procedimento foi encaminhado à Promotoria de Justiça da área de Educação de Mogi das Cruzes, que deverá analisar os fatos e avaliar a necessidade de adoção de medidas previstas na legislação.
Caso gera repercussão na rede de ensino
A situação provocou questionamentos sobre a utilização de referências históricas relacionadas a regimes autoritários em discussões destinadas a gestores da rede pública.
Hitler e Mussolini comandaram regimes responsáveis por perseguições políticas, violência de Estado e graves violações de direitos humanos. O caso agora será analisado tanto administrativamente pela Secretaria da Educação quanto pelo Ministério Público.
Até o momento, as autoridades não divulgaram a conclusão das apurações nem eventuais outras medidas que poderão ser adotadas contra a servidora. O caso permanece sob investigação.

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