Desastre na fronteira entre Nepal e Tibete foi provocado por uma avalanche de gelo e rochas; centenas de pessoas continuam desaparecidas
Uma gigantesca enchente atingiu, na quarta-feira (26), áreas próximas à fronteira entre o Nepal e o Tibete, deixando um rastro de destruição, mortes e desaparecimentos. As primeiras informações apontavam para um possível terremoto, mas análises posteriores indicaram que o desastre foi provocado pelo colapso de uma geleira, que desencadeou uma avalanche de gelo, rochas e sedimentos.
De acordo com especialistas, uma parte da geleira se desprendeu em uma região montanhosa e despencou cerca de 1.200 metros até o fundo de um vale. A enorme quantidade de gelo e detritos atingiu o sistema fluvial da região, provocando uma onda de água extremamente rápida e destrutiva.
Como o desastre aconteceu?
O fenômeno começou com o rompimento de uma porção da geleira. A queda provocou um forte deslocamento de gelo, pedras, neve e sedimentos, que avançaram pelo vale e atingiram cursos d’água.
A força do impacto provocou uma elevação extremamente rápida do nível dos rios. Segundo especialistas, o nível do rio Trishuli chegou a subir aproximadamente nove metros em apenas 30 minutos, transformando a correnteza em uma gigantesca onda de lama e detritos.
A água avançou por comunidades, estradas e áreas de infraestrutura, destruindo casas, pontes, veículos e instalações de geração de energia. O distrito de Rasuwa, no Nepal, foi uma das regiões mais atingidas.
O terremoto não foi a causa
Nas primeiras horas após a tragédia, o registro de uma atividade sísmica de magnitude 5,2 levou autoridades e moradores a suspeitarem que um terremoto pudesse ter provocado o desastre.
Posteriormente, o Serviço Geológico dos Estados Unidos esclareceu que o registro sísmico estava relacionado ao próprio colapso da geleira. Ou seja, o tremor não teria iniciado o desastre; ele foi uma consequência do enorme deslocamento de gelo e rochas.
Aquecimento do planeta aumenta preocupação
Cientistas também investigam a influência das mudanças climáticas no episódio. O Himalaia vem registrando aumento das temperaturas e acelerado derretimento de geleiras, fatores que podem deixar algumas estruturas de gelo mais instáveis.
Especialistas ressaltam, porém, que ainda é necessário analisar todos os fatores envolvidos antes de estabelecer uma relação direta entre o aquecimento global e este evento específico. O que já preocupa os pesquisadores é o aumento do risco de deslizamentos, avalanches e enchentes provocadas pelo derretimento e pela instabilidade das geleiras na região.
Tragédia deixa centenas de desaparecidos
Além das vítimas fatais, centenas de pessoas continuam desaparecidas. Entre elas estão moradores locais e estrangeiros que estavam na região em viagens, peregrinações e atividades turísticas.
As equipes de emergência enfrentam dificuldades para chegar às áreas afetadas devido à destruição de estradas e pontes. Helicópteros e máquinas pesadas estão sendo utilizados nas operações de resgate e localização de sobreviventes.
O desastre reforça o alerta internacional sobre a vulnerabilidade das comunidades instaladas nos vales do Himalaia. Para especialistas, sistemas de monitoramento de geleiras, alertas antecipados e cooperação entre os países da região são fundamentais para reduzir o número de vítimas em futuras ocorrências.

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