Giulia Falcão afirma que foi agredida pelo marido, o empresário Ivo Kos, e que conseguiu escapar após se esconder em um banheiro
A dentista Giulia Falcão, de 27 anos, relatou em entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo, que acreditou que morreria durante uma sequência de agressões atribuídas ao marido, o empresário Ivo Kos, de 48 anos, sócio-fundador da empresa Virgo. O episódio ocorreu em 15 de agosto, em São Paulo.
Segundo Giulia, a violência começou na noite anterior, após um jantar com amigos. Ela afirmou que o marido demonstrou comportamento agressivo ainda durante o encontro e, posteriormente, passou a agredi-la dentro do carro enquanto dirigia. De acordo com o relato, foram desferidos socos contra o rosto e o corpo da dentista.
Ainda segundo a vítima, o empresário teria utilizado um aparelho de eletrochoque durante o episódio. Giulia conseguiu sair do veículo e tentou pedir ajuda na rua, onde havia dois seguranças. Ela afirmou que pediu socorro, mas que um deles teria permanecido sem intervir. Os dois seguranças são investigados pela polícia por possível omissão de socorro.
A dentista contou ainda que teria sido obrigada a retornar para dentro da residência. Já no imóvel, segundo seu depoimento, o empresário teria pegado um taco de beisebol e corrido atrás dela. Giulia conseguiu se proteger e, posteriormente, se esconder no banheiro. Foi no local que, segundo ela, percebeu a gravidade da situação e temeu não sobreviver. “Eu falei: ‘Vou morrer aqui’”, relatou durante a entrevista.
A oportunidade para fugir surgiu quando o empresário se distraiu ao atender uma ligação telefônica. Giulia conseguiu deixar a residência e procurou abrigo na casa de uma vizinha, que acionou a polícia.
Relato aponta histórico de violência
Além do episódio mais recente, Giulia afirmou que as agressões começaram antes do casamento e teriam se repetido ao longo do relacionamento. Segundo a dentista, o primeiro episódio teria ocorrido com um tapa no rosto. Ela também relatou episódios de violência psicológica e sexual, além de afirmar que foi impedida de trabalhar. De acordo com seu depoimento, o empresário fazia ameaças, ofensas e tentava controlar diferentes aspectos de sua vida.
Após a agressão, a defesa da dentista passou a defender que o caso seja enquadrado como tentativa de feminicídio, em vez de apenas lesão corporal. Até o momento, o empresário responde por lesão corporal qualificada e ameaça e permanece preso cautelarmente. O empresário também é investigado em outro episódio de violência ocorrido em São Paulo, envolvendo um homem dentro de uma sinagoga. A polícia apura as circunstâncias e a eventual relação entre os casos.
Defesa
A defesa de Ivo Kos afirmou confiar nas instituições e nas decisões da Justiça. Os advogados também criticaram a exposição pública de familiares do empresário, destacando que pessoas sem relação com os fatos investigados não deveriam ser envolvidas no caso.
As investigações continuam, enquanto a Justiça analisa as acusações e as circunstâncias relatadas pela vítima. O caso chama atenção para a escalada da violência doméstica e para a importância da denúncia diante de situações de ameaça e agressão.

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