Obra de requalificação da orla de Olinda é alvo de críticas por demora e falta de manutenção

A requalificação da orla de Olinda, no Grande Recife, tem gerado reclamações entre moradores, comerciantes e frequentadores da Praia de Bairro Novo. O principal motivo é o ritmo de execução das obras na Avenida Ministro Marcos Freire, que se aproxima de dois anos e ainda apresenta trechos inacabados.

Durante visita à área, foi possível observar materiais espalhados pelo calçadão e partes do piso ainda sem conclusão. A demora na execução tem provocado insatisfação entre quem utiliza diariamente o espaço.

Um comerciante que trabalha há cerca de 20 anos na região classificou a intervenção como uma “obra tartaruga”. Segundo ele, os serviços avançam de forma fragmentada, deixando áreas inacabadas enquanto outras frentes são iniciadas. “Eles fazem só um pedaço, não terminam, passam para outro local e deixam inacabado. Ali na frente está tudo inacabado”, relatou.

O comerciante também questionou a prioridade dada à intervenção, diante de outros problemas estruturais enfrentados pela região. Para ele, os transtornos provocados pela obra acabam afetando o movimento do comércio. “Não tem condições de gastar tanto dinheiro em uma obra dessas enquanto as ruas estão cheias de buracos. Estão fazendo ficar pior”, afirmou.

As reclamações também envolvem a circulação de pedestres. Entulhos, pedras e trechos do calçamento ainda sem conclusão dificultam a passagem e aumentam o risco de acidentes. A estudante Beatriz Letícia, de 16 anos, moradora da região, contou que os materiais permanecem no local há meses. “Essas pedras viraram enfeite da praia, porque ninguém mexe. Passar por aqui é perigoso. Esses dias machuquei o dedo numa topada por causa dos buracos”, relatou.

Banheiros públicos também são alvo de reclamações

Além dos problemas relacionados à obra, os banheiros públicos da orla também são motivo de queixas. Usuários relatam mau cheiro e falta de itens básicos de higiene, como sabonete e papel higiênico. Também há reclamações de que os equipamentos permanecem fechados a partir das 16h. A situação se soma às críticas relacionadas à segurança. Moradores e frequentadores afirmam que os relatos de assaltos na região têm aumentado.

“Não tem como andar de bicicleta ou correr direito. A segurança também está péssima, com muitos assaltos aqui recentemente. A gente fica à mercê, dependendo de uma atenção maior do poder público”, afirmou o morador João Paulo, de 26 anos.

Obra prevê investimento de R$ 5,2 milhões

De acordo com informações oficiais da Prefeitura de Olinda, a intervenção contempla um trecho de aproximadamente dois quilômetros, entre o Colégio Jussara Ferreira e a Praça Duque de Caxias, conhecida como Praça do Quartel. O investimento previsto é de R$ 5,2 milhões. O projeto inclui a implantação de piso intertravado, demolição do piso existente, pintura de bancos, instalação de sinalização horizontal e vertical, além da requalificação da Praça Duque de Caxias, que deverá receber playground e novos equipamentos.

A previsão informada pela Prefeitura é de conclusão dos serviços em outubro de 2026.

Prefeitura diz que obra segue cronograma

Procurada para comentar as reclamações sobre o andamento da obra, a manutenção da área e as condições dos banheiros, a Prefeitura de Olinda afirmou, por meio da Secretaria de Obras e de outras pastas envolvidas, que a requalificação da orla segue o cronograma estabelecido e permanece dentro do prazo previsto.

A gestão municipal também informou que mantém ações permanentes de manutenção e zeladoria na orla. Segundo a Prefeitura, equipes realizam verificações diárias na iluminação para identificar e encaminhar eventuais problemas. Sobre a limpeza, a administração afirmou que a coleta de lixo ocorre regularmente e que a limpeza da área é realizada durante o dia. Já a coleta nos prédios e estabelecimentos comerciais, incluindo restaurantes, ocorre no período noturno, de domingo a domingo.

Em relação aos banheiros públicos, a Secretaria de Gestão Urbana informou que a equipe responsável pela limpeza realiza a reposição dos itens de higiene. Também será feito um levantamento técnico para identificar possíveis adequações nos equipamentos e melhorar as condições de uso pela população. A Prefeitura reforçou que a requalificação permanece dentro do planejamento e que a entrega está mantida para outubro deste ano.

SDS ainda não respondeu

A reportagem também procurou a Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS-PE) para comentar os relatos de insegurança na área. Até a publicação da matéria, o órgão não havia se pronunciado. O espaço permanece aberto para manifestação.

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