Se depender do primeiro efeito do rompimento com Marília Arraes (PDT), a candidatura ao Senado já começou a sentir o peso da decisão. Menos de 24 horas depois de o presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco, deputado Álvaro Porto (MDB), anunciar que não seguirá com a pedetista, lideranças de pelo menos 17 municípios já desembarcaram do palanque, entre elas, cinco prefeitos. E, pelo andar da carruagem, a lista ainda está longe de terminar.
Na primeira leva da debandada estão os prefeitos Josafá Almeida, de São Caetano; Sandra Paes, de Canhotinho; Duda Lira, de Cupira; Erivaldo Chagas, de Lajedo; e César Freitas, de Sanharó. Também deixaram claro que não pretendem apoiar Marília lideranças de municípios como Olinda, Caruaru, Paulista, Água Preta, Sertânia, Catende, Palmares, Quipapá, Capoeiras, Exu, Lagoa de Itaenga, Lagoa dos Gatos e Panelas.
O movimento acompanha a orientação de Álvaro Porto e de seu filho, Gabriel Porto (PSB), candidato a deputado federal. Em nota conjunta, os dois oficializaram o rompimento e acusaram Marília de não cumprir compromissos políticos assumidos anteriormente.
O estopim da crise foi a confirmação de Abel Neto (PSB) como primeiro suplente da chapa de Marília. Segundo o grupo de Porto, a vaga havia sido previamente combinada para uma indicação ligada ao presidente da Assembleia. Abel, por sua vez, é aliado do prefeito do Cabo de Santo Agostinho, Lula Cabral (PSB).
Até aqui, nada de novo no roteiro da política pernambucana: um acordo político, uma promessa, uma vaga e, quando os interesses deixam de coincidir, vem o rompimento.
Mas o episódio ganha contornos ainda mais curiosos quando se olha para o histórico recente de Álvaro Porto. O deputado já esteve ao lado da governadora Raquel Lyra (PSD), ajudou a construir alianças em torno do projeto político dela e, posteriormente, transformou-se em um dos seus mais duros adversários políticos. Hoje, a relação entre os dois está longe de ser a parceria de outros tempos.
Agora, a história se repete em outro palanque. O aliado de ontem vira adversário de hoje, e o rompimento com Marília começa a produzir uma nova onda de adesões e deserções.
A diferença é que, desta vez, o efeito foi imediato: prefeitos e lideranças começaram a seguir a orientação de Porto praticamente em fila. Se a movimentação continuar nesse ritmo, Marília terá mais do que uma disputa eleitoral pela frente. Terá de explicar como uma candidatura ao Senado conseguiu perder aliados em velocidade de campanha antes mesmo de a eleição começar.
E há um detalhe que merece atenção: apesar de romper com Marília, o grupo de Álvaro Porto mantém o apoio ao primo dela, João Campos (PSB), candidato ao Governo de Pernambuco.
Ou seja: rompe-se de um lado, preserva-se do outro. Na política, como se sabe, as brigas podem ser definitivas, desde que não atrapalhem a próxima eleição.

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