Um esquema suspeito de fraude eleitoral, conhecido como “candidatura laranja”, pode provocar uma reviravolta na composição da bancada federal de Pernambuco. A situação envolve a prestação de contas de Cabo Nayllis (PP), candidata a deputada federal nas eleições de 2026, que recebeu recursos vultosos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (Fundão), mas obteve uma votação irrisória.
Segundo os dados apurados, a candidata recebeu R$ 822 mil exclusivamente da Direção Nacional do PP, repassados via Pix. No entanto, ao final do pleito, ela conquistou apenas 217 votos. Essa disparidade resultou no absurdo custo de R$ 3.788,02 por voto, o maior registrado no estado neste ciclo eleitoral.
Indícios de empresa fantasma e desvio de recursos
As suspeitas não param pela baixa votação. A análise das despesas da campanha revela que mais de R$ 360 mil foram gastos apenas com publicidade impressa e adesivos. O ponto mais crítico recai sobre a segunda maior fornecedora da chapa, a microempresa individual de Greyce Kelly de Carvalho Silva, que recebeu R$ 145.300,00.
Investigações preliminares apontam que a empresa, supostamente uma gráfica, possui endereço divergente do real e utiliza números de telefone claramente fictícios, como (81) 01010101 e (81) 02020202. Além disso, não há registros de material de campanha divulgado nas redes sociais informadas ao TSE, e a própria candidata referiu-se à disputa apenas como uma “experiência” e um “convite” em suas poucas publicações.
Quatro mandatos em risco
Caso o Ministério Público Eleitoral (MPE) prove que a candidatura foi uma manobra para burlar a cota feminina de gênero, a legislação prevê a cassação de toda a chapa proporcional. Isso significaria a anulação de 865.473 votos da federação, fazendo o quociente eleitoral cair de 210.580 para 175.961.
A consequência direta seria a perda dos mandatos de quatro deputados federais eleitos:
– Juliana de Chaparral (União Brasil)
– Fernando Filho (União Brasil)
– Lula da Fonte (PP)
– Clarissa Tércio (PP)
Quem assumiria as vagas?
Se a cassação for confirmada, a representação política de Pernambuco sofreria uma alteração drástica. As vagas seriam redistribuídas para os seguintes suplentes ou candidatos não eleitos com maior votação residual:
– Lucas Ramos (PSB)
– Sargento Almeida (PSD)
– Renildo Calheiros (PCdoB)
– Coronel Meira (PL)
O caso segue sob sigilo parcial enquanto o MPE coleta provas, mas já gera tensão nos bastidores políticos do estado, onde a troca de poder entre partidos tradicionais e a entrada de novas forças poderia redefinir alianças futuras na Câmara dos Deputados.

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