Monitoramento registra primeira captura de tubarão-tigre na costa do Grande Recife

Animal de 1,45 metro recebeu um dispositivo de rastreamento para ajudar pesquisadores a compreender os deslocamentos da espécie e aprimorar medidas de prevenção no litoral pernambucano.

O monitoramento científico de tubarões no litoral do Grande Recife registrou a primeira captura de um tubarão-tigre desde a retomada das pesquisas na região, após 11 anos de interrupção. O procedimento foi realizado na sexta-feira, 9 de outubro, por pesquisadores do Projeto Ecotuba, que acompanha a presença e a movimentação desses animais na costa pernambucana.

O exemplar capturado é um macho com 1,45 metro de comprimento. Durante a operação, a equipe implantou um transmissor para rastreamento e coletou material biológico que será utilizado em estudos científicos. Após os procedimentos, o animal foi devolvido vivo ao mar.

A iniciativa é coordenada pelo Departamento de Pesca e Aquicultura da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), em parceria com o Governo de Pernambuco. O trabalho pretende ampliar o conhecimento sobre as espécies que frequentam o litoral e contribuir para o desenvolvimento de estratégias de prevenção de incidentes.

Pesquisa busca compreender o comportamento dos tubarões

O tubarão-tigre está entre as espécies associadas a incidentes registrados no litoral pernambucano. Por isso, a captura representa uma etapa importante para os pesquisadores, que buscam identificar os padrões de deslocamento dos animais e compreender quais condições ambientais influenciam sua aproximação da costa.

O projeto terá duração prevista de 24 meses e estabelece a meta de marcar até 50 tubarões. A partir dos dados coletados, os especialistas pretendem analisar os movimentos das espécies e identificar áreas utilizadas com maior frequência.

A pesquisa também poderá fornecer informações ao Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (CEMIT), auxiliando na avaliação de medidas preventivas e no planejamento de ações voltadas à segurança dos banhistas.

Outras espécies já foram capturadas

Nas primeiras expedições, os pesquisadores também registraram dois tubarões de espécies que não estão associadas aos principais incidentes ocorridos na região.

Um deles foi uma fêmea de tubarão-flamengo, com aproximadamente 1,40 metro, encontrada nas proximidades da Praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes. O outro era um filhote de tubarão-rabo-seco, com cerca de 40 centímetros, capturado na região de Barra de Jangada, próximo à foz dos rios Jaboatão e Pirapama.

Os dois animais passaram por procedimentos de identificação e pesquisa antes de serem devolvidos ao ambiente marinho.

A previsão é de que sejam realizadas entre oito e dez expedições por mês. As equipes utilizam técnicas de pesca científica para capturar os exemplares, coletar informações e instalar os dispositivos de acompanhamento.

Histórico de incidentes reforça importância do estudo

A retomada do monitoramento ocorreu em meio à preocupação com os incidentes envolvendo tubarões no Grande Recife. Em 31 de maio, um menino de 11 anos foi atacado na Praia de Piedade e sofreu a amputação da perna esquerda. No dia seguinte, uma jovem de 19 anos foi atacada na Praia de Boa Viagem, no Recife, e perdeu a perna direita.

Os episódios reforçaram a necessidade de ampliar as pesquisas sobre a presença desses animais no litoral do estado.

Com a continuidade do Projeto Ecotuba, os pesquisadores esperam produzir informações que ajudem a compreender melhor a dinâmica das espécies e orientem futuras ações de prevenção. A iniciativa também busca ampliar a conscientização da população sobre os cuidados necessários para uma utilização mais segura das praias pernambucanas.

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