Protestos estudantis provocam incêndios e confrontos em escolas da França

Diretora foi atingida por gasolina em Marselha; manifestações reivindicam mais professores, recursos e melhores condições nas escolas

Uma onda de protestos estudantis que começou na região de Paris se espalhou por diferentes cidades da França e registrou episódios de violência nesta quinta-feira (1º). Escolas foram incendiadas, bloqueios foram montados e uma diretora ficou ferida após ser atingida por gasolina em um colégio de Marselha.

Na escola secundária Victor Hugo, em Marselha, a diretora foi atingida pelo combustível durante um incidente envolvendo estudantes. A promotoria confirmou que a profissional ficou ferida, mas não divulgou detalhes sobre seu estado de saúde.

Em outro colégio da mesma cidade, o Saint-Exupéry, um incêndio levou equipes dos bombeiros ao local. Segundo a polícia, manifestantes cercaram o caminhão que combatia as chamas e obrigaram os bombeiros a abandonar o veículo, que acabou sendo incendiado.

Outro incêndio atingiu a escola Nelson Mandela, em Nantes. O fogo foi controlado e não houve registro de feridos. O prédio precisou ser esvaziado, e os estudantes que chegavam para as aulas foram enviados de volta para casa.

Confrontos com a polícia

Em Saint-Denis, nos arredores de Paris, manifestantes entraram em confronto com policiais. Estudantes acusaram as forças de segurança de utilizar gás lacrimogêneo, enquanto as autoridades afirmaram que grupos envolvidos nos distúrbios tentavam ampliar os bloqueios.

Os protestos também chegaram a outras cidades francesas. Segundo a Reuters, cerca de 400 escolas estavam fechadas nesta sexta-feira (2), enquanto as autoridades informaram que aproximadamente 2 mil pessoas haviam sido detidas desde o início das manifestações, a maioria adolescentes.

Quais são as reivindicações?

Os estudantes protestam principalmente contra problemas enfrentados no sistema de ensino, como salas superlotadas, falta de professores, infraestrutura considerada inadequada e dificuldades relacionadas às condições de aprendizagem.

A mobilização ocorre simultaneamente a uma onda de greves de servidores públicos, que contestam medidas de contenção de gastos e reivindicam reajustes salariais, novas contratações e melhores condições de trabalho.

Na terça-feira (29), uma jornada nacional de manifestações reuniu milhares de pessoas em diferentes regiões do país. O Ministério do Interior informou que cerca de 200 mil pessoas participaram de mais de 170 atos, enquanto a central sindical CGT apresentou uma estimativa superior a 300 mil participantes.

Governo convoca reunião de emergência

Diante da escalada dos protestos, o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, convocou uma reunião de emergência com integrantes do governo para discutir a situação.

A crise acontece em meio à apresentação do projeto de orçamento para 2027, que prevê medidas de redução de gastos. A proposta enfrenta resistência de sindicatos e outros setores da sociedade.

O ministro da Educação, Édouard Geffray, pediu que as escolas adotem aulas remotas quando necessário e afirmou que os episódios de violência não devem impedir os estudantes de exercerem seu direito à educação.

As autoridades francesas continuam acompanhando os protestos, enquanto novas manifestações e bloqueios são registrados em diferentes regiões do país.

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