Investigação aponta que detento tinha regalias dentro do presídio e mantinha ligação com organização responsável pelo tráfico de drogas em Rio Formoso
Novos detalhes de uma investigação sobre o tráfico de drogas em Rio Formoso, na Zona da Mata Sul de Pernambuco, revelaram um esquema de regalias envolvendo detentos do sistema prisional do Estado. Entre os casos identificados está o de Lyferson Barbosa da Silva, conhecido como “Lobo”, apontado pelas autoridades como integrante da facção Sindicato do Crime.
Segundo informações reunidas em processos judiciais, Lyferson, que cumpria pena no Presídio de Igarassu, chegava a deixar a unidade prisional e retornar posteriormente para realizar procedimentos estéticos no Recife.
As informações fazem parte de investigações conduzidas pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Pernambuco (Ficco/PE), que apurou a atuação de grupos criminosos ligados ao comércio de maconha, crack e cocaína em Rio Formoso entre 2022 e 2024.
Regalias dentro do presídio
O caso também já havia sido investigado pela Polícia Federal durante a Operação La Catedral. Na ocasião, as autoridades apontaram que Lyferson teria acesso a uma série de privilégios dentro do Presídio de Igarassu.
Entre as irregularidades identificadas estavam o uso de celulares, uma cela individual com objetos considerados de luxo, visitas de mulheres e pessoas conhecidas nas redes sociais, além da existência de um espaço utilizado, segundo a investigação, para o refino de crack.
As investigações também apontaram a realização de festas dentro da unidade, com presença de convidados, músicos e fornecimento de bebidas e alimentos.
Tráfico de drogas
De acordo com a investigação, o grupo liderado por Esdras Rodrigues Barros Silva, conhecido como “Deda Vaqueiro”, comandava o tráfico de drogas em Rio Formoso mesmo estando preso.
O esquema teria contado com fornecedores ligados ao Sindicato do Crime e à organização conhecida como Okaida, da Paraíba. Segundo o Ministério Público de Pernambuco, a estrutura era dividida em diferentes núcleos, responsáveis pelo fornecimento de drogas, movimentação financeira e ocultação de valores.
As investigações utilizaram, entre outras ferramentas, análise de celulares, interceptações telefônicas, dados financeiros fornecidos pelo Coaf e informações obtidas por meio de quebras de sigilo telemático.
Investigação sobre lavagem de dinheiro
O Ministério Público também aponta a existência de pessoas físicas e empresas que teriam sido utilizadas para movimentar recursos atribuídos ao tráfico e dar aparência de legalidade ao dinheiro.
Segundo a acusação, integrantes que estavam presos dependiam de terceiros para movimentar os valores. Parte dos recursos teria sido transferida por contas de outras pessoas e utilizada na aquisição de patrimônio.
As investigações também alcançaram a administração do Presídio de Igarassu. O então diretor da unidade, Charles Belarmino, chegou a ser preso por suspeitas relacionadas às irregularidades identificadas no funcionamento do estabelecimento e às regalias concedidas a detentos.
A Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização foi procurada para comentar os fatos e, segundo o Diário de Pernambuco, não havia se manifestado até a publicação da reportagem. O espaço permanece aberto para posicionamento.

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