Declaração do primeiro-ministro divide opiniões entre críticas da oposição conservadora e sinalizações positivas de líderes da Europa
O líder do governo britânico, Andy Burnham, declarou em uma entrevista ao canal BBC que o retorno do Reino Unido à União Europeia é uma possibilidade que está sendo considerada. Burnham revelou a vontade de recuperar a relação de longo prazo com o bloco europeu e que pode ir até ao fim, em direção ao objetivo de reverter o “mal” causado pelo Brexit.
“O Brexit causou mais mal do que bem à economia britânica. Vou analisar todas as opções para que esta questão não seja esquecida ou deixada em aberto. Há claramente opções que têm de ser consideradas. Temos de analisar o que é viável e quais seriam os prós e os contras de cada opção. Mas poderíamos continuar como estamos. Também é uma opção, se as pessoas acharem que este é o lugar certo para ficar”, ponderou.
Na última semana, Burnham já tinha adiantado sobre a probabilidade de promover uma futura campanha a favor do regresso do Reino Unido à UE nas próximas eleições gerais. O primeiro-ministro detalhou vários cenários possíveis, desde manter o status quo, reentrar na união tarifária ou no mercado único, e ainda ir até a plena reintegração. “É uma opção em aberto para o futuro das relações de longo prazo do país”, disse.
Essa ação romperia completamente com o manifesto eleitoral do Partido Trabalhista para 2024, que prometia fazer o Brexit funcionar, e, por isso, se manter afastado da UE. O premiê quebrou, portanto, um tabu político e relançou a discussão sobre o tema.
Contudo, as declarações geraram críticas de setores opositores e conservadores. Líderes do Partido Conservador acusam Burnham de tentar reabrir feridas do passado.
O líder do Partido Liberal Democrata respondeu: “falar é fácil. Burnham precisa parar com os ‘talvez’ e começar a negociar um acordo melhor para a Grã-Bretanha rapidamente”. Enquanto, o Partido anti-imigração Reform UK classificou a posição de Burnham como uma “traição” e uma tentativa de reconduzir o Reino Unido a UE pela porta dos fundos.
Por outro lado, líderes da Europa reagiram positivamente. O presidente da França, Emmanuel Macron, qualificou a possibilidade de uma nova adesão do Reino Unido como uma ótima notícia e Pedro Sánchez, primeiro-ministro da Espanha, afirmou estar de braços abertos para este regresso.

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