Carta assinada por 31 democratas cobra explicações do secretário de Estado, Marco Rubio, sobre medidas adotadas em relação ao Brasil
Um grupo de 31 parlamentares do Partido Democrata dos Estados Unidos encaminhou uma carta ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, questionando medidas adotadas pelo governo de Donald Trump em relação ao Brasil às vésperas das eleições presidenciais de outubro de 2026.
No documento, os congressistas afirmam que determinadas ações da administração Trump representam, na avaliação deles, uma possível tentativa de interferência no processo eleitoral brasileiro. A carta pede que o governo americano respeite a soberania do Brasil e reconheça o resultado das urnas, independentemente de quem seja eleito.
Parlamentares citam Flávio Bolsonaro
Os democratas afirmam que medidas recentes adotadas por Washington poderiam favorecer a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência. Entre os episódios citados estão medidas comerciais contra produtos brasileiros, sanções aplicadas a autoridades brasileiras e a relação estabelecida pelo governo Trump com aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Os parlamentares também mencionam a indicação de Darren Beattie para atuar como assessor sênior em assuntos relacionados ao Brasil. Na carta, os congressistas fazem críticas à trajetória política de Beattie e citam uma tentativa de visita dele ao Brasil, que, segundo o documento, não foi autorizada pelas autoridades brasileiras.
Sanções e relação entre Brasil e Estados Unidos
Outro ponto levantado pelos congressistas envolve a aplicação da Lei Global Magnitsky contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. A carta solicita informações sobre os critérios utilizados pelo governo americano para adotar a medida.
Os parlamentares também questionam a decisão dos Estados Unidos de classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas, além da revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti.
A carta ainda compara a postura atual da administração Trump com a atuação do governo Joe Biden durante as eleições brasileiras de 2022, quando os Estados Unidos reconheceram o resultado eleitoral e manifestaram apoio às instituições democráticas brasileiras.
Pedido de respeito ao resultado das urnas
Ao final do documento, os parlamentares democratas pedem que o governo americano se comprometa formalmente a respeitar o processo eleitoral brasileiro e a manter relações diplomáticas normais com o presidente que for escolhido pelos eleitores.
A iniciativa ocorre poucas semanas antes do primeiro turno das eleições brasileiras, marcado para 4 de outubro de 2026. Segundo a carta, o governo americano deve reconhecer o resultado certificado das urnas, independentemente do candidato vencedor.
O governo Trump, por sua vez, já declarou, segundo reportagem da Folha de S.Paulo, que considera o Brasil um país independente e democrático e que os Estados Unidos pretendem trabalhar com o governo brasileiro independentemente de quem vencer a eleição.

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