Representantes de vários países abandonaram a sessão em protesto; primeiro-ministro israelense reagiu chamando os que saíram de “covardes morais”
Dezenas de representantes de países deixaram o plenário da Assembleia Geral das Nações Unidas, nesta quinta-feira (24), em Nova York, no momento em que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, iniciou seu discurso durante a 81ª sessão da ONU. O gesto foi registrado como uma manifestação de protesto diante das ações militares de Israel e da situação no Oriente Médio.
A saída ocorreu enquanto Netanyahu se dirigia ao púlpito. O setor reservado à delegação palestina também estava vazio. Segundo a AFP, a missão palestina havia solicitado previamente que outras delegações se juntassem ao protesto.
Netanyahu reage durante discurso
Após a saída dos representantes, Netanyahu fez uma provocação aos demais presentes.
“Se restarem outros covardes morais que ainda não deixaram esta sala, façam-no agora”, afirmou o primeiro-ministro israelense no início de sua fala.
Os delegados que permaneceram no plenário vaiaram Netanyahu em alguns momentos, enquanto integrantes da delegação israelense aplaudiram o primeiro-ministro de pé. O presidente da sessão precisou pedir ordem no recinto.
Brasil também deixou o plenário
A delegação brasileira esteve entre as que deixaram a sessão durante o discurso de Netanyahu. Segundo informações divulgadas pela imprensa, o chanceler Mauro Vieira não estava no plenário naquele momento, pois participava de um evento relacionado à agência da ONU para refugiados palestinos, a UNRWA.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia participado anteriormente da abertura dos debates da Assembleia Geral e criticado as ações do governo israelense em Gaza. Lula não estava presente durante o discurso de Netanyahu.
Netanyahu defende ações de Israel
Em seu pronunciamento, o primeiro-ministro israelense defendeu as ações de seu governo e afirmou que Israel continuará atuando para proteger o país.
Netanyahu também falou sobre o conflito com o Irã e afirmou que a destruição das instalações nucleares iranianas foi uma decisão necessária para a segurança de Israel. Ele também criticou aqueles que, segundo sua avaliação, condenam Israel enquanto reconhecem em particular a atuação do país contra o programa nuclear iraniano.
O discurso ocorreu em meio a críticas internacionais às operações militares israelenses em Gaza e à situação humanitária no território palestino. Ao mesmo tempo, o governo israelense mantém sua posição de que suas operações têm como objetivo combater o Hamas e garantir a segurança de Israel.
Protestos também ocorreram do lado de fora da ONU
A presença de Netanyahu em Nova York também provocou manifestações nas ruas. Grupos de ativistas realizaram protestos nas proximidades da sede das Nações Unidas, enquanto a cidade recebeu medidas adicionais de segurança para a visita do primeiro-ministro israelense.
O episódio dentro da Assembleia Geral evidencia a forte divisão internacional em torno da guerra e das políticas do governo israelense, em um momento no qual a questão palestina permanece entre os principais temas da agenda diplomática internacional.

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