TPLF assume controle de três aeroportos e entra em confronto com forças federais; União Africana pede desescalada imediata
A situação no norte da Etiópia voltou a se deteriorar nesta quarta-feira (23), após forças da Frente de Libertação do Povo do Tigré (TPLF) lançarem uma nova ofensiva contra tropas do governo federal. O movimento elevou os temores de que o país possa voltar a enfrentar um conflito de grandes proporções, poucos anos depois do fim da guerra que devastou a região.
As forças do Tigré assumiram o controle de três aeroportos, incluindo os de Mekele, capital regional, Axum e Shire. A ofensiva também provocou confrontos nas regiões vizinhas de Afar e Amhara.
A Ethiopian Airlines anunciou a suspensão dos voos de e para os aeroportos da região diante da escalada da violência. A interrupção do transporte aéreo aumenta as dificuldades de deslocamento em uma área que ainda enfrenta consequências humanitárias da guerra anterior.
TPLF afirma estar em “guerra defensiva”
As autoridades do Tigré afirmam que a ofensiva ocorre em resposta ao que classificam como uma agressão das forças federais. O governo regional declarou que suas tropas foram orientadas a reagir aos ataques e classificou o novo confronto como uma batalha defensiva.
Do outro lado, o governo federal acusa a TPLF de ter iniciado uma ofensiva contra posições militares nas regiões de Afar e Amhara. Um assessor do primeiro-ministro Abiy Ahmed confirmou os ataques e criticou a atuação político-militar do grupo.
A divergência sobre quem iniciou os novos combates permanece entre as partes envolvidas, enquanto informações independentes sobre a dimensão dos confrontos ainda são limitadas.
Acordo de paz volta a ser ameaçado
A nova escalada acontece quase quatro anos depois do acordo firmado em Pretória, em novembro de 2022, que encerrou a guerra entre o governo federal e a TPLF.
O conflito de 2020 a 2022 provocou uma das mais graves crises humanitárias da história recente da Etiópia. Estimativas da União Africana apontam para cerca de 600 mil mortes, além de deslocamentos em massa e destruição de infraestrutura.
Nos últimos meses, entretanto, confrontos localizados e ataques com drones já vinham aumentando a tensão entre as forças federais e o Tigré.
Nova aliança amplia preocupação
A escalada ocorre poucos dias depois de sete grupos armados etíopes, incluindo a TPLF, anunciarem uma aliança com o objetivo declarado de remover o governo do primeiro-ministro Abiy Ahmed.
A coalizão reúne grupos que anteriormente chegaram a combater uns contra os outros, entre eles forças da região de Amhara e integrantes da TPLF. A formação da aliança aumenta a possibilidade de que conflitos regionais distintos possam se conectar em uma crise nacional mais ampla.
União Africana pede contenção
Diante da retomada dos combates, a União Africana pediu máxima contenção e uma desescalada imediata. A organização manifestou preocupação com a tomada dos aeroportos de Mekele, Axum e Shire e com o aumento das hostilidades em áreas do Tigré e de Afar.
Organizações humanitárias também demonstram preocupação com a população civil. A região ainda possui grande número de pessoas deslocadas e depende de condições seguras para a chegada de alimentos, medicamentos e outros itens essenciais.
A evolução dos combates será acompanhada de perto pela comunidade internacional, especialmente porque a Etiópia está localizada em uma área estratégica do Chifre da África, próxima ao Sudão, à Eritreia e ao Mar Vermelho.

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